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sábado, 3 de janeiro de 2015

É pelos frutos que se conhece a árvore


             
  Minha mãe nasceu e cresceu em uma cidade muito pequena, no interior do Maranhão. Era uma cidade muito pobre, e as condições de vida eram muito ruins. Como somos uma família bastante assimilada por conta das perseguições contra os judeus, meus bisavós, avós, etc, frequentavam uma igreja ali nessa cidade, era uma Igreja Assembléia de Deus. A realidade dentro da igreja era extremamente rígida, segundo minha mãe. Era tão complicado que ela cresceu achando que, metaforicamente, “D’us era um homem de barba longa e branca, com um cajado na mão, pronto pra cacetar e castigar todo mundo”. Os líderes do local usavam interpretações absurdas dos textos bíblicos em benefício próprio.

                Os membros desse grupo religioso eram constantemente punidos pela liderança da igreja. Se uma irmã usava um simples batom, era acusada de ser “pecadora”. Usar um perfume melhorzinho então nem pensar: se a esposa do pastor percebesse, a irmã era posta em “disciplina”. Se um irmão se vestia um pouco melhor, era posto em disciplina e a culpa que ele tinha era que ele era “vaidoso”. Se alguém questionasse a atitude da liderança, era taxado de “rebelde”. Entretanto, os pastores e líderes, em suas vidas particulares viviam muito bem. Embora fossem raros na época, eles tinham automóveis, e eram carros bons para aquele tempo. Eles viviam integralmente do trabalho religioso, tinham seus salários pagos completamente pelo dízimo de quem frequentava aquele grupo religioso. É claro que ter um padrão de vida justo é muito bom, dificuldades físicas nos atrapalham a servir a D’us e Maimonides mesmo ensinava isso. Mas como um pastor podia ter um padrão de vida muito melhor que os membros que frequentavam sua igreja? O pastor recebia o dízimo de pessoas às vezes muito pobres e que até mesmo passavam fome. Os membros da igreja moravam em bairros horríveis e muito pobres, cheios de violência, enquanto o líder tinha um bela casa, e nela tinha todo o tipo de luxo daquele tempo. Será que isso é justo? Se alguém quiser ter luxos, tem todo o direito de ter. Mas que trabalhe para isso. Existem muitos líderes religiosos, como pastores, rabinos, etc, que além de exercerem o serviço religioso também tem seus empregos próprios empregos, sendo, durante a semana, profissionais liberais, funcionários púbicos, professores, médicos, etc. Além de contribuir para a sociedade, não são pesados para suas próprias congregações. Aos que vivem integralmente de seu ministério religioso é recomendável que tenham um padrão de vida compatível com o padrão de vida das pessoas que frequentam o local ao qual lideram. Isso é também “fugir da aparência do mal”.

                Ali naquele local que minha família frequentava, constantemente os membros passavam por humilhações, partidas da própria liderança. Dentro da tradição judaica, é enfatizado fortemente sobre a proibição de humilhar alguém. Vovó contou-me sobre uma mulher que não podia ter filhos. Por conta disso, ela foi considerada ali na igreja como uma mulher que carregava algum tipo de grave maldição. Isso me faz lembrar aquelas religiões tribais africanas, em que mulheres que não tinham filhos eram expulsas da convivência com a comunidade, eram extremamente humilhadas e além de carregar o sofrimento de não poderem ter filhos, tinham que carregar humilhação pública imposta pela liderança da tribo por conta de ela não poder ter filhos. E como é isso na tradição judaica? Diversas mulheres que não podiam engravidar eram na verdade mulheres elevadíssimas espiritualmente! Sarah, Raquel, Ana, a mãe de Sansão, entre outras, eram mulheres que não podiam ter filhos. E isso não era algo do tipo “D’us está te castigando, você deve ter cometido um grave pecado para isso ter acontecido” ou coisa semelhante. O Eterno tem seus planos. E essas mulheres, embora fossem estéreis eram mais elevadas espiritualmente do que muitas mulheres que tinham muitos filhos. As mulheres não são como vacas que tem que parir um bezerro por ano, e as vacas que não são capazes de parir um bezerro por ano são abatidas. Cada um tem sua própria medida, que o Eterno abençoe a todos nós. Que o Eterno nos livre de aumentar a dor dos outros, mas que possamos ser pessoas que ajudam os outros. Que nossa compaixão e benevolência sejam maiores que nossa rigidez.

                Era complicado também quando a igreja passava por alguma dificuldade. Se havia dificuldade financeira, a culpa era dos membros que não oravam o suficiente. Ou então, a culpa era dos membros por eles terem falta de santidade. A culpa era sempre dos membros, nunca da liderança. A liderança era aparentemente um exemplo de santidade a ser seguido sem nunca ser questionado. Eles se esqueceram de que somos todos humanos e todos sujeitos a ter falhas. Ninguém é perfeito. Podemos nos esforçar para melhorar e devemos fazer isso, mas até o nosso último suspiro seremos incomodados por nossa própria inclinação ruim. Como disse o Messias, “por que me chama de bom? Bom é só o meu Pai”. E é muito interessante ver como é isso na tradição rabínica. Por exemplo, o rabino Nilton Bonder, no livro “A Cabalá da Inveja”, na página 113, diz o seguinte:

“Quando você acusa alguém e pronuncia um julgamento sobre esta pessoa, dizendo que ela merece isto ou aquilo, está pronunciando julgamento sobre si mesmo. Apesar do erro cometido pelo outro parecer estranho à sua maneira de ser e de se comportar, você já terá cometido de forma semelhante este mesmo erro. Se você acusa alguém de, por exemplo, idolatria, você será, com certeza, culpado por orgulho – que é, em si, uma forma de idolatria. E seu erro pode ser maior que aquele que você aponta, pois o julgamento sobre você será ainda mais severo e crítico. Porém, se você justifica aquele que está errado, desculpando-o pelo fato de estar ainda aprisionado à sua encarnação e não poder controlar seus desejos, então você estará justificando a si mesmo.

Assim, semelhantemente, quando acusamos alguém de “falta de santidade” significa apenas que há falta de santidade em nossas vidas também, de alguma forma. Se acusarmos alguém de “não orar o suficiente” significa que de alguma forma também não o fazemos. Talvez, viver uma vida de santidade tenha muito mais a ver com a forma que nos postamos diante da vida, se agimos de forma ética, se respeitamos o próximo a cuidamos da Criação. Vivemos numa era em “ter é ser”, gostamos muito mais da aparência externa das coisas do que elas realmente são. Chimpanzés não podem fazer caridade, não podem dar alimento aos pobres, não podem fazer uma porção de coisas que o Eterno nos ordenou fazer. Entretanto, qualquer chimpanzé pode vestir um terno, ou uma saia até o calcanhar, ou ir pra igreja todos os domingos. É claro que se vestir bem e decentemente é muito importante, mas a vida não se resume ao modo que nos vestimos ou àquilo que comemos. De que adianta se vestir de maneira “santa” ou de maneira “kosher” e sair por aí humilhando todo mundo? Que o Eterno nos livre de viver uma vida de aparências, de parecer uma coisa por fora e na verdade viver algo bastante diferente daquilo que falamos com nossos lábios.

Tudo isso me faz lembrar sobre a Halachá. A forma de aplicar a Halachá pode ser explicada com a seguinte metáfora. Imagine que, metaforicamente, um pitbull queira servir a D’us. Por conta de sua natureza selvagem e violenta, esse pitbull precisa de barreiras para se controlar. Assim, a Halachá que um pitbull deve aplicar a si mesmo é semelhante à uma focinheira de couro forte e reforçada com uma coleira de ferro maciço. Algo muito forte e pesado, para que o pitbull possa se controlar e servir a D’us da melhor forma possível. Se esse pitbull aplica essa rigidez a ele mesmo, ele faz muito bem. Agora, imagine outra situação: esse mesmo pitbull que aplica a si mesmo uma halachá rígida como uma focinheira e coleira de ferro encontra um gatinho da raça angorá, uma raça conhecida por ser dócil e gostar muito de contato social. Daí, esse gatinho também quer servir ao Eterno. Será que esse gatinho que tem uma natureza completamente diferente do pitbull precisa de uma focinheira e coleira de ferro maciço? É claro que não. E o pitbull comete um grande pecado se ele quiser impor o uso de sua própria focinheira e coleira de ferro no gatinho. A focinheira e a coleira de ferro são cercas necessárias ao pitbull, mas não são necessárias ao gatinho. Se a focinheira e a coleira de ferro forem coladas no gatinho angorá, ele viverá uma vida infeliz e terrível, trará apenas sofrimento desnecessário à vida dele. E todos nós temos um lado pitbull e um lado gatinho dentro de nós mesmos. Todos nós temos um lado mais fraco e propenso a cometer determinados tipos de pecado e outro lado em que somos mais fortes. Por exemplo, uma pessoa que tem problemas com álcool não come nem mesmo um bombom de licor, pois isso pode ser motivo de grande tropeço para ele. Mas ele querer impor isso a todo mundo, é um grande pecado, pois ele coloca um julgo impossível de carregar em cima dos outros. Temos o dever de aplicar cercas às nossas próprias vidas, mas cometemos um grande erro ao querer que os outros vivam do mesmo modo que vivemos, que apliquem às suas próprias vidas as mesmas cercas que nos impomos e com a mesma rigidez. O julgo do Masshiach existe, mas ele é leve. O Eterno libertou um povo que era escravo no Egito para que ele fosse livre e não para se submeter a um novo tipo de escravidão, a um novo tipo de “humanos dominando humanos”. Escolher viver de forma mais rígida e limita não necessariamente é um sinal de mais santidade, embora possa ser. Escolher viver de forma mais limitada pode ser um sinal de que na verdade a pessoa tem um lado pitbull muito maior e mais forte que seu lado gatinho e assim precisa de muita rigidez em sua conduta – e essa pessoa faz muito bem em se aplicar uma conduta mais rígida, mas comete um grande pecado ao forçar os outros a viver de seu mesmo modo rígido.

                O Masshiach ensinou que é “pelos frutos que se conhece a árvore”. Um pitbull que serve ao Eterno deve ser um pitbull que produza bons frutos. Um pitbull que diz que serve ao Eterno com seus lábios, mas que ao olharmos suas atitudes não verificamos isso é um pitbull no mínimo mentiroso. Um pitbull que diz amar a D’us, mas continua mordendo todo mundo por aí, não serve a D’us. Se nós não cuidamos das pessoas que nós vemos, como vamos amar a D’us, a Quem não vemos?

                Edgard MacFraggin’

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Dogmas Caninos

         “Cachorro” em inglês se diz “dog”. E como são interessantes esses animais, chegando a ser considerados em muitas culturas como “o melhor amigo do homem”. Apesar de muito carinhosos, não é nada recomendado brincar com um cachorro que está saboreando um osso ou algum outro alimento: nesses momentos, o instinto predomina e eles têm uma tendência a se mostrar agressivos, por imaginar que querem lhe tomar o osso. Um animal não é capaz, na maioria dos casos, de dividir seu alimento com outros que não a sua prole. Assim, diante da possibilidade da perda, os cães reagem de forma única, a saber, agressivamente. Se um cão quer o osso de outro, ele provavelmente irá disputar o alimento em uma briga. Cães são incapazes de pensar em comprar o osso do coleguinha peludo, ou mesmo de trocar, ou de pedir educadamente. Eles respondem diante dessa situação e de tantas outras de uma Única Forma.
Felizmente, nós não somos como cães. Entretanto, muitos de nós nos comportamos de maneira semelhante em muitos casos. Alguns de nós chegam a ter Atitudes Únicas diante de diferentes situações. Esse é o caso dos dogmas. É muito interessante notar que justamente a palavra “dog” (“cachorro” em inglês) está presente na palavra “dogma”. Assim, uma fé Dog-mática é uma fé adequada a um cão, lhe cabe muito bem; pois agir de forma dog-mática é agir como os cães agem, de Forma Única diante de tudo. Mas a nós, só pode fazer mal, nós não somos cães. Somos convidados a ponderar sobre diferentes situações, e em todo o tempo.
No livro “A Ética do Sinai”, de Irving Bunim, é nos dito que não é bom ser vizinho de um Chassídico tolo. O Chassídico tolo é semelhante a um homem de uma história contada pelo nosso povo. Uma mulher estava se afogando e um suposto sábio, depois de vê-la pedir ajuda, virou de costas e seguiu seu caminho, deixando que ela morresse. E por que ele fez isso? Pois pensou na proibição que existe de que “um homem não deve tocar uma mulher que não seja sua esposa”. Esse homem agiu como um cão. Deveria ele ter se lembrado de que a vida é maior que esse preceito, assim, ele tinha a obrigação de salvar a mulher que se afogava.
Deve ser por isso que os cães não fazem perguntas: como eles tem apenas um tipo de resposta para cada pergunta, estas se tornam dispensáveis. Mas nós nos fazemos perguntas o tempo todo e diante de diferentes situações temos o Dever Religioso de dar Respostas Diferentes. O Rabino Lord Jonathan Sacks nos ensina que “Responsabilidade é ter Habilidade em dar Resposta”. Eu diria, parafraseando-o que “Responsabilidade é ter Habilidade em não ser um cão”.
Edgard MacFraggin’

domingo, 9 de novembro de 2014

Ciúmes: um termômetro para o bem e um aquecedor para o mal

Uma piadinha pra descontrair :) 
Esses dias, tomei conhecimento de um fato que pareceu-me uma clara demonstração de ciúme, o que fez lembrar-me de uma outra situação que ocorreu comigo, cerca de 12 anos atrás. Na época, eu estava com aproximadamente 15 anos de idade. Viajei até a cidade onde mora minha tia, para passar ali alguns dias com eles.
Assim que cheguei, minha prima, um ano mais nova que eu, me convidou para irmos tomar um sorvete, num lugar ali perto. Junto conosco, iria um rapaz aparentemente um pouco mais velho que eu e aparentemente amigo de minha prima. Estávamos conversando bem, o cara parecia ser legal e tal. Até que chegamos na sorveteria. Eu cheguei e me servi e minha prima também se serviu. O rapaz, entretanto, não o fez. Pensei comigo mesmo "ah, ele não deve gostar muito de sorvete ou então vai comer outra coisa", ou algo semelhante a isso.
Para a minha surpresa, minha prima e o rapaz começaram a tomar o sorvete que minha prima havia servido juntos! Quando aquela cena se colocou diante de meus olhos eu fervi de raiva. Recordo-me de ter vontade de mandar minha prima se servir novamente e deixar aquele sorvete para o rapaz, pois "prima minha não fica tendo refeições desse jeito". Bom, eu não disse nada da ocasião, mas acredito que, pelo menos minha prima, deve ter percebido que o "clima fechou" pra mim naquele momento. Não sabia eu, ninguém havia me contado ainda, que minha prima estava namorando com aquele rapaz. Mas é capaz que mesmo que eu soubesse teria reagido de maneira semelhante.
Acho que tudo isso me fez parar e refletir sobre essa questão de sentir ciúmes. Poxa, por que nós o sentimos? Eu particularmente não gosto de sentir ciúmes e não acho que a manifestação pública dele seja algum tipo de demonstração de amor, como muitos entendem, mas sim uma manifestação de possessão, de achar que é possível ter posse ou propriedade do outro. E geralmente, manifestações exteriores de ciúmes acabam em problemas ou até mesmo tragédias. O problema é que o ciúme inevitavelmente se manifesta.
Será que ele pode ser considerado como bom? Pode ser que sim, pode ser que não. Eu penso que o ciúmes é com certeza algum tipo de termômetro. Só sentimos ciúmes de pessoas ou coisas que nos são preciosos. Assim, esse ciúme-termômetro pode ser uma ferramenta completamente pessoal de autoanálise, de um auto reconhecimento de por quem sentimos ciúmes nos é muito precioso. E, nessa analogia, o ciúme se torna um termômetro-aquecedor é que ele se torna problema, muitas vezes destrutivo. Vou usar um exemplo para explicar.
Vamos imaginar que um cachorrinho chegou passando mal na clínica. Pegamos o termômetro para aferir a temperatura e constatamos que ele está com febre e bem alta, correndo risco de vida. O que devemos fazer? Certamente, ligar um aquecedor NÃO está entre as opções de tratamento. A função desempenhada pelo termômetro foi muito boa, pudemos aferir a temperatura do animal e poderemos também acompanhar a evolução do quadro. Agora, que função em resolver o quadro febril teria um termômetro-aquecedor demoníaco? Nenhuma. Se esse termômetro, ao constatar que o animai estivesse febril começasse a aquecê-lo, muito provavelmente acabaria ocasionando óbito no animal, não ajudando em nada na resolução do quadro. Quem deve reagir a situação que deixou o cachorro febril é o próprio cachorro e não o termômetro. No caso de ciúmes, quem deve tomar alguma atitude não é o ciumento e sim a pessoa a quem ele tem ciúmes - se for o caso, pois também existem os ciumentos compulsivos. A presença do ciúme serve para que, se ainda não houvermos percebido, percebamos que tal pessoa coisa nos é importante. Agora, reagir a isso e tornar o cipumes público é apenas uma reação de aquecimento, que pode gerar uma situação de pequeno desconforto indo até mesmo à morte.
Como disse anteriormente, não entendo que demonstrar ciúmes seja uma manifestação de amor. Muito pelo contrário: pessoas que fazem isso me parecem sentir-se donas do Outro. Entretanto, eu acho que pessoas que criam situações para que o Outro sinta ciúmes dela são pessoas profundamente doentes e que comentem um pecado abominável. E quando um dos amantes percebe que seu amado está sentindo ciúme, assim como um cão febril deve reagir à própria febre, esse amante deve reagir visando amenizar a situação, acabar com a medição de febre do termômetro daquele que sente ciúmes. Talvez valha a pena, diante de uma situação dessas, que quem é alvo de ciúmes tranquilize o termômetro do outro e isso pode ser feita de diversas formas. Um amigo meu me contou uma situação que achei de genial resolução. Esse meu amigo é um cara boa pinta, "bonitão" e tal. Certa vez, ele havia ido com a namorada à uma churrascaria, pra ter uma noite de casal. Uma moça ilustremente desconhecida que estava ali teve o descabimento de chegar até eles e pedir pra tirar uma foto junto com meu amigo! Ele disse que naquele momento, o clima fechou. Instaneamente, ele percebeu que a namorada dele havia ficado - com razão - uma fera e que a noite romântica deles estava a ponto de escorrer pelo ralo. O que ele fez? Sacou em frações de segundo uma ideia muito inteligente. Ele respondeu à inconveniente moça mais ou menos assim: 

 - Claro que podemos tirar uma foto, mas só se na foto eu estiver beijando minha namorada! 

Genial, não? Assim, diante de uma situação que tinha o potencial pra ferver, o amor deles foi adequadamente reafirmado e a situação se resolveu. Acredito que aquele foi um dos melhores encontros românticos que meu amigo teve.


Edgard MacFraggin'

sábado, 9 de agosto de 2014

O Estreito Caminho do Lech Lechá

              Tenho refletido de uns tempos pra cá na temática do Lech Lechá, da alteridade, de servir ao Eterno de forma pessoal no sentido da identidade que Ele deu a cada um. Penso que tudo isso conversa entre si e é a forma que temos de cumprir nosso Tikun, de ser a forma de cumprir a missão individual que o Eterno nos deu, de consertar a parte fraturada do mundo que cabe a cada um.
                Não sei todos os leitores conhecem o conceito de Lech Lechá (lê-se Ler Lerrá – sendo esse rr com som gutural, semelhante à algumas pronuncias do francês). É um conceito profundo do Judaísmo. Esse é o título de uma parashá (porção semanal) da Torá, porção encontrada em Bereshit (Gênesis) 12:1-17:27. Ali é contada o famoso chamado que D’us fez a Abraão, o “sai da tua terra e da tua parentela...”. Mas Lech Lechá pode ser traduzido como “vá ao encontro de você mesmo”. Estranho, não? Mas é aí que reside o significado profundo do termo. O Eterno sabia que o destino de Abraão era ser pai de uma grande nação, era viver fora da Babilônia, era ter Isaac, etc. Mas Abraão era completamente diferente dessa descrição no início de seu relato. Se ele não saísse “da terra e da parentela” ele seria alguém diferente do que o Eterno tinha para ele. É como se ele não fosse ele mesmo, pois o destino de Abraão era ser um Patriarca. Mas ele só atingiria isso se ele deixasse a situação confortável em que ele vivia, se ele se sacudisse, se levantasse e lutasse para atingir o potencial daquilo que o Eterno havia permitido para ele.  Nesse sentido, cada um de nós tem um Lech Lechá a fazer. E isso tem tudo a ver com alteridade, com individualidade, com um relacionamento pessoal e único com o Espiritual.
                Nesse sentido de Lech Lechá, estive pensando sobre o que Yeshua queria dizer sobre os dois caminhos, o largo e o estreito. Quero mostrar uma outra possível interpretação de todo o capítulo VII do livro de Mattityahu (Mateus), analisando todos os versículos à luz dos versículos 13 e 14, que é quando Yeshua cita esses dois caminhos. A interpretação que darei será diferente da interpretação usual dada aos versos 13 e 14, o que possível de ser feito sob uma ótica de interpretação bíblica judaica. Vou seguir o texto analisando os versículos em blocos, então sugiro para um melhor entendimento uma leitura prévia ou simultânea do capítulo VII de Mattityahu (Mateus). 
·         Versos 1 a 5: Yeshua começa mostrando algo do tipo “cuide da sua vida. Concentre-se em você mesmo, não nos outros. Cuide de realizar o Seu Caminho, Sua Missão, Seu Mazal, Seu Destino.” Desobedecer a esse ponto trará, certamente, tristes consequências.
·         Verso 6: Aquilo que é sagrado é, por definição, aquilo que é separado. No contexto de Lech Lechá, o que há de mais separado para alguém é a sua própria individualidade. Nenhuma outra pessoa possui uma individualidade como a tua. Abrir mão dessa individualidade é abrir mão do Lech Lechá. É dar sua própria vida aos cães, e, caso faça isso, eles a destruirão.
·         Versos 7 a 11: “Peçam continuamente...” Devemos continuamente buscar ao Eterno, perguntando-Lhe qual é o Nosso Caminho. Pois se pedirmos que Ele nos abra uma porta, Ele irá abrir não uma porta qualquer, mas a Porta pela qual devemos entrar, a Porta de nosso próprio Lech Lechá. Ele é nosso Pai: Ele abre as portas boas e fecha as portas más.
·         Verso 12: Yeshua ensina que devemos respeitar a individualidade dos outros, pois cada um de nós aprecia e gosta que nosso individualidade seja respeitada.
·         Versos 13 e 14: Nesse ponto Yeshua trás o magnífico conceito dos Dois Caminhos. Em relação ao Caminho Estreito, uma possível interpretação seja de que ele seja diferente e único para cada um de nós. Ou seja, ele é estreito justamente por apenas uma pessoa poder passar por ele e nenhuma outra. O Caminho Largo é acessível a todos, pois é o Caminho da Massificação, o lugar em que se perde a identidade e passa-se a fazer parte da grande massa – uma massa metafórica em que os ovos, o açúcar, a farinha, a manteiga e o fermento perderam todos a sua própria identidade e se tornaram uma massa única e indistinguível. É esse Caminho Largo o lugar onde as pessoas deixam a Missão que o Eterno as deu, visando seguir o que é mais fácil e cômodo. É o caminho que está em oposição ao Lech Lechá e que conduz à perdição, pois se não seguirmos os Planos do Eterno para nós, estaremos perdidos. “Poucos entram no Caminho Estreito”, disse Yeshua, não por conta de sua estreiteza (pois, nesse sentido, há um “Caminho Estreito” para cada um de nós), mas pela dificuldade que é cumprir o Lech Lechá, o “sair de nossa terra e de nossa parentela”. Fazer o que todo mundo faz, perder a individualidade, ser massificado, andar pelo Caminho Largo é muito mais fácil e confortável que trilhar na contra-mão do sistema, que andar pelo Estreito Caminho do Lech Lechá.
·         Versos 15 a 20: Uma vez que estiver no Estreito Caminho, tome cuidado com as pessoas que se aproximarem de você. Pode ser que eles queiram te oferecer um alimento apetitoso aos olhos e talvez até mesmo ao paladar, mas que será ruim a longo prazo, visto que esse alimento irá te engordar de tal forma que ficarás metaforicamente entalado no Caminho Estreito, tendo que perder tempo com dietas ou correndo o risco de ficar tão gordo que terás que ir pelo Caminho Largo.
·         Versos 21 a 23: Não é todo mundo que diz que cumpre seu Lech Lechá que realmente o cumpre. Baseado no bloco de versos anterior, analise os frutos dessa pessoa, se são frutos de alguém que preserva e faz o bem através de sua individualidade, ou se são frutos de alguém que demonstra frutos de origem massificada.
·          Versos 24 a 27: Existem testes diferentes em tipo e intensidade separados desde o Princípio pelo Eterno para cada um de nós, independentemente de qual dos dois Caminhos iremos trilhar. No Caminho Estreito de cada um estão as ferramentas apropriadas para se proteger desses testes. No Caminho Largo, as ferramentas são impróprias e inúteis. Um homem estava destinado desde o Início dos Tempos a enfrentar uma terrível tempestade. Se ele fosse pelo Caminho Largo, iria encontrar apenas a possibilidade de construir uma casa sobre a areia, quando a tempestade viesse, ele estaria arruinado. Se tomasse seu próprio Estreito Caminho (Lech Lechá) ele teria a chance de construir a casa sobre a Rocha: quando a mesma tempestade viesse, ele estaria protegido. Essa parábola demonstra o poder do Lech Lechá.
·         Versos 28 e 29: o capítulo acaba lindamente ao dizer que “as pessoas admiravam esses ensinamentos de Yeshua, pois ele não ensinava como os ‘outros’ ensinavam, ele transmitia seus conhecimentos com uma ‘autoridade’ própria”, ou seja, a autoridade que alguém possui por andar em Seu Próprio Estreito Caminho – e essa autoridade (a Autoridade de alguém que é Autor) só pode ser obtida assim.


Edgard MacFraggin’ 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Palavras não são transparentes, infelizmente

Estava pensando enquanto voltava para casa em como a mesma palavra pode ter significados extremos de tão diferentes. Seria muito mais fácil se elas fossem "transparentes", i.e., se se pudesse saber o significado que ela tem para a pessoa que a expressa. Mas, particularmente, não creio ser esse o maior problema. O maior problema é que alguns têm temor, medo e pavor de simples palavras. 

Pegue a palavra "dragão", por exemplo. Muitos devem pensar em demônios, criaturas infernais ao simples som dessas sílabas. Claro, pode até ser um dos significados para o qual essa palavra é empregada (como no desenho do logo desse blog). Mas não é o único e, na maioria das vezes que se vê essa palavra, ele não tem nada a ver com criaturas espirituais. 
Sir Richard Owen: o pai dos
dinossauros

Vejamos. Dragões existiram? Sim, eles existiram! Existiram até 1841, quando Sir Richard Owen passou a chamá-los de dinossauros! Dinossauro significa "lagarto terrível". E antes desse termo (antes de 1841) usavam "dragão" para chamar esses "lagartos terríveis", pois um dragão é, certamente, um lagarto terrível. 

Outro termo interessante é a palavra "monstro". "Monstro" é aquilo que foge ao que natural ou esperado, que é contra a ordem regular da natureza, mas não quer dizer que é necessariamente algo ruim. Talvez 200 anos atrás, alguém vendo uma bela aeronave ou foguete acharia que são monstros voadores - e provavelmente terríveis! Mas isso não é verdade, embora pareça a priori um absurdo que uma estrutura que pesa toneladas seja capaz de voar. São estruturas monstruosas, no sentido de ir contra a gravidade. E tantas outras coisas podem ser classificadas como "monstros" sem que sejam ruins, desde as pessoas que aparecem no livro Guinness dos Recordes até Pokémons.  

E existem outras tantas palavras que são mal entendidas... E pior do que isso é ter medo de palavras, pois mais importante - ou o que dá importância a elas - é o seu significado. Simples assim. 

Laila tov! 
Edgard MacFraggin'

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A tecnologia nos ajuda a entender conceitos espirituais

Como são interessantes as coisas! Estava lendo essa semana o livro "Decifrando a Criação", do rav Yosef Bitton, e ele fala sobre isso. Li um artigo do Chabad [clique aqui] falando sobre isso também. Ontem estava pensando a respeito do nosso comportamento em relação ao próximo, tentando entender o que a Torah queria dizer em Levítico 19:18, o famoso "ama o próximo como a ti mesmo". Poxa, não é tão fácil ou simples como pode parecer isso. Principalmente quando precisamos colocar isso em prática. 
As vezes tentar entender as coisas com outras palavras [às vezes até mesmo antônimas!] pode ajudar. Ao invés de "amor", vamos pensar rapidamente em "dor". Bom, dor é uma coisa praticamente virtual, pelo menos a dor do outro. Se eu sinto dor no pé, eu sei a exata dimensão do quanto está doendo, do quanto está me incomodando, etc. Mas se meu irmão sente dor, seja ela leve ou horrível, eu não sinto nada. Ele pode vir reclamar para mim e eu nem dar atenção, justo "porque eu não estou sentindo nada". 
Oras, Yeshua citou certa vez esse texto de Levítico. Ainda, em Mattityahu 25:34 em diante, ele nos ensina como amar esse próximo. É praticamente como se ele entendesse a "fome, sede, doença, prisão e necessidade" dos outros, i.e. coisas virtuais para o indivíduo, como sendo reais para ele! Ele dizendo como que se ele mesmo estivesse sofrendo essas coisas. Devemos amar o próximo assim. Como se sentíssemos de forma real a dor virtual, a fome virtual, a tristeza virtual do próximo. "Sinta de forma real a dor virtual do teu próximo". Creio eu ser esta uma possível interpretação para o texto de Levítico. 


Shalom aleikhem, 
Edgard MacFraggin'

sábado, 1 de junho de 2013

Enterrando talentos como se excrementos fossem

"E um lugar, terás para ti, fora do acampamento, e ali saíras fora; e uma estaca, terás para ti, entre os objetos de teu uso, e quando te abaixares lá fora, com ela cavarás, e volvendo-te cobrirás o que defecaste;" Devarim ["Deuteronômio"] XXIII. 13 e 14

"Mas o que tinha recebido um talento saiu, cavou um buraco no chão e escondeu o dinheiro do senhor." Mattityahu ["Mateus"] XXV. 18

Quando o povo saía para guerrear, deveria levar consigo uma pá, para enterrar o que defecassem e não contaminar o acampamento. E isso porque o Eterno estava ali com eles, presente nas batalhas. Ainda mais, esse é destinado que esperamos para as próprias fezes, ninguém gosta de ficar vendo ou cheirando um monte de esterco. Muita gente não gosta nem de ir em fazendas pelo cheiro das fezes e urina dos animais! E o interessante é que mesmo alguns animais enterram suas próprias fezes, seguindo suas próprias Instruções naturalmente!


Carl Barks, você foi inspirador para muitas
gerações!
Mas uma coisa que todos gostam de ver são pessoas talentosas usando seus talentos. Como é bom escutar a voz ou a gaita tocada por Bob Dylan ou Humberto Gessinger! Ou ver os maravilhosos quadrinhos de dez páginas escritos e desenhados pelo Mestre Carl Barks, de saudosa memória? Poxa, aquelas histórias de dez páginas pareciam que tinham 50 de tão profundas! Ou mesmo a criatividade de Shigeru Miyamoto, o criador da série Super Mario Bros.! Poxa vida, são coisas muito boas, talentos que praticamente ninguém mais possui. E será que esses talentos vem de nós mesmos? Obviamente não. São coisas tão boas que podemos "ver" a assinatura do Criador, assim como percebemos isso no canto dos pássaros no final da tarde. E imagina se esses gênios citados tivessem recusado e não utilizado seus talentos? Poxa, seria horrível, pelo menos para mim!

E o grande rabino Yeshua fala nessa parábola justamente disso. Sobre talentos usados e enterrados, sendo este algo totalmente fora de lógica. O rapaz da parábola recebeu "apenas um" talento e o enterra! Mas o que deve ser enterrado não são os talentos, e sim as excretas. Talvez possa-se inferir o motivo pelo qual aquele senhor ficou tão irado. O rapaz considerou o talento recebido como excremento, numa análise mais profunda! E é claro que sua punição foi à altura do seu erro.

Cada um de nós possui talentos. Alguns mais, outros menos. Mas creio que o que mais limita as pessoas é a vergonha de usar o talento ou não. Eu conheço pessoas que tocam instrumentos maravilhosamente. Outros cozinham verdadeiros manjares! Outros desenham e outros fazem esculturas. Outros têm um talento incrível de ser pacientes e lúdicos, de ajudar os outros, etc. E assim vai. Utilizem esses talentos! Temos apenas essa vida para isso. Temos apenas essa vida para, através dessas ferramentas chamadas como talentos, mudar a vida do próximo, para amá-lo como a nós mesmos. Para sarar essa terra tão doente. Para trazer nem que seja um "simples" sorriso e tirar o foco do sofrimento de uma criança. Somos todos capazes!

Laila tov,
Edgard MacFraggin'

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A falsificação do Super Nintendo e a Origem da vida

Graças aos Super Franco Primos(são os quatro irmãos!)
 fomos apresentados ao Universo dos Video Games, 
em 1992 ou 1993. Assim, meu irmão e eu pudemos passar 
horas de diversão com Super Mario Brothers (meu irmão 
o Mario e eu o Luigi - sempre!)


Ah, como eu amo o meu Super Nintendo. Creio que ganhei meu SNES em 1994 ou 1995. Era muito bom jogar aqueles maravilhosos jogos, aqueles gráficos super legais para a época e tal. O último jogo de SNES que eu comprei foi em 2010 (sim sim, 2010) pelo Mercado Livre, encontrei um cartucho original zerado do Yoshi’s Island: Super Mario World 2. E que jogaço, hein? Um jogo excelente e tal.
Poxa, desde que tenho feito meu dinheiro (do inglês, ok? “making my own money” :] ), tenho procurado e tenho feito assim, só compro jogos originais. Porque eu quero que a Nintendo continue a ser rica mesmo, pra continuar produzindo jogos legais. Produzir jogos tem a ver com programação, com horas e horas, meses, anos, criando softwares e hardwares que sejam compatíveis com os programas. Essa parte é muito difícil, realmente. Exige que se tenha formação ou algum treinamento na área, etc. Agora, na mão dos malandros que falsificam, tudo fica muito fácil! É muito mais fácil falsificar ou ripar um game do que fazer um game. Até mesmo o hardware, depois de feito, é fácil de falsificar. A Nintendo pode passar 5 anos desenvolvendo um hardware que depois de lançado será falsificado em poucos meses. Assim, depois de que algo foi desenvolvido, é moleza – perto do conhecimento necessário para se fazer – falsificar. E esse foi, creio eu, um dos motivos da Nintendo ter saído do Brasil, porque aqui a falsificação e comercialização dos piratas era sinistra. Hoje, nintendistas como eu pagam bem mais caro pra comprar os games, porque agora os originais são importados e há uma taxação muito grande. 
As últimas conversas que tive com ateus, ou mesmo comentários deles, quando se falava da origem da vida, origem da célula, etc, dizendo que tendo a primeira célula, seria muito fácil fazer réplicas delas. E sim eles estão certos nisso. Tendo uma primeira célula fica tudo mamão-com-açúcar. Mas e fazer A primeira célula? É tão simples assim? As explicações disso são sempre muito vagas, como “existiam as moléculas e elas reagiram quimicamente e formaram a célula” ou “você nunca viu o experimento de Miller?” [já refutado, procurem os materiais da SCB – Sociedade Criacionista Brasileira]. Já que foi algo simples assim, porque os cientistas não conseguem reproduzir isso em laboratório? A ciência deve ter repetibilidade! Porque que o Miller não tirou do experimento dele células, ao invés de aminoácidos super frágeis, de isomeria incompatível com a vida? 
Realmente, fazer cópias (“falsificar”) é muito mais fácil que fazer algo original. E mais fácil ainda é ficar falando “blábláblá experimento de Miller, eu amo o Dawkins” e sequer estar presente dentro de um laboratório para ver a dificuldade que os experimentos da área de biologia e saúde carregam. De todos os ateus que eu conheço, talvez nem 10% deles estejam em laboratórios ou são ligados de algum modo à ciência. Os outros, são apenas leigos que falam como se fossem experts do meio científico. É por isso que o Stephen Hawkings (ateu) não fica falando as besteiras que muito ateu por aí fala. 
Edgard MacFraggin'

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Finalmente uma postagem sobre dinossauros!!

Euoplocephalus
   Sim, finalmente. Desde 1996 aproximadamente sou apaixonado por dinossauros, embora poucos saibam disso. O meu preferido é o Euoplocephalus. Mas melhor fazer suspense e começar com outra coisa. Uma curiosidade: antes de 1841, os dinossauros eram chamados de "dragões". Mas em 1841, o sr Richard Owen os chamou de "dinosauria", que significa "lagartos terríveis"! Assim, sim os dragões existiram. É quase como chamar mandioca de macacheira. São sinônimos.  Um bom programa sobre esse tema foi um dos episódios do Creation Today, que pode ser visto clicando aqui.  
      Também gosto muito de sapos. E isso não é segredo para ninguém. Já li um pouco a respeito deles, cursei a disciplina "Zoologia de Vertebrados" na UnB, durante a graduação em Medicina Veterinária. Matéria maravilhosa. Aprendi coisas peculiares da biologia dos anfíbios que me fez mudar a forma como os via. Bom, os sapos, e alguns outros anfíbios são excelentes marcadores de poluição de um ambiente. Pequenas concentrações de dejetos, contaminantes, etc, já são suficientes para que esses animais comecem a morrer. Uma das grandes preocupações do tão temido Aquecimento Global é o impacto que a elevação de temperatura vai ter sobre essas espécies, que muito provavelmente irão ser extintas se nada for feito. Outros animais que podem sofrer com essas coisas são as borboletas. Elas são bastante sensíveis com relação à essas variações, tanto de temperatura quanto de poluição. 
       Já os répteis são bem mais resistentes à essas coisas. Mais resistentes às mudanças de temperatura, até mesmo de poluição, pelo menos mais que os anfíbios. Assim, numa ordem de extinção, iriam morrer primeiro os anfíbios e depois os répteis. 
         Voltando no tempo, é incrível observar o relato "aceito" da extinção dos dinossauros e não achar estranho. Bom, falemos de extinção de répteis e os que temos atualmente: muitos dos testudines, crocodilia e squamata sabem nadar e temos diversos exemplares desses animais vivos hoje. E nenhum deles também também tem um tamanho realmente grande como tinham a maioria dos dinossauros. Assim, um asteroide que ninguém viu, ou tocou, ou fotografou, ou cheirou nem nada, caiu do espaço e extinguiu apenas lagartos gigantes. Os outros não foram afetados. Foi um tipo um vestibular com 100% de cotas para dinossauros morrerem. Interessante. Mais interessante ainda é que os anfíbios, que são super sensíveis às mudanças climáticas, não foram instintos. Nem as borboletas. 
     Já eles acham ridículo o registro documental (não estou falando de aspecto cultural) que existe do dilúvio: nem todas as espécies foram salvas. Algumas sim, outras não. Algumas foram sim extintas. Outras não. Simples. E esse registro não está apenas na Torah: basta procurar pela história de diversas civilizações para ver elas falam de um dilúvio no passado, com fatos em comum, como a presença de oito pessoas, animais e algo vindo de D'us. Sim, civilizações na Ásia, Europa, África, América da Sul e do Norte, Oceania. 
        A grande maioria dos cristãos que eu conheço, acha que é suficiente ficar sentando assistindo ao culto todo domingo e depois ir embora pra não viver o que foi ensinado no culto. A grande maioria dos ateus que eu conheço acha que suficiente ler um pouco de Richard Dawkins, escutar Slipknot, ter 17 anos e odiar a D'us sem sequer parar um pouco para estudar coisas a respeito. E ambos os grupos estão errados, porque nem se aprofudam no que professam e ainda atrapalham os outros. A maioria dos ateus não é da área da biologia ou da saúde (até mesmo porque a maioria tem 17 anos, não é idade de ir para a faculdade). Os que são mais velhos, olham cegamente para a biologia como se ela fosse a resposta da humanidade. Se esquecem de estudar sobre história, arqueologia, métodos de datação, física nuclear, química, etc. E se acham os donos da razão. 
          Eu creio em D'us e não nego isso. Eu nunca vi D'us. Os ateus creem em um asteroide que nunca viram e em tantas outras coisas. E depois os teístas, sejam cristãos, judeus ou muçulmanos, são os que são ridículos.
      Como dizia um antigo professor do Ensino Médio, "Pensar é um ato indolor, sem contra-indicações e necessário". 
Edgard MacFraggin'

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A Taxonomia de MacFraggin'


Bom, MacFraggin', um estudioso e admirador da vida, nascido no século passado, criou um sistema de classificação taxonômica única: separou as espécies através de grupos de cores. Assim, no grupo "Verde" estão contidas a maior parte das plantas, assim como diversos fungos e tantos animais, como alguns besouros, louva-a-deus, sapos, rãs, periquitos, papagaios, serpentes, lagartos, testudines, crocodilos, entre outros. No grupo "Roxo", estão peixes, algumas algas, corais, crustáceos, moluscos, etc. E assim foi a classificação para cada cor existente. Vale relembrar que a classificação não alterou em nada as características fisiológicas de nenhuma das espécies: cada uma delas continuou como fora projetada para ser. 

Muito prazer, o sr. MacFraggin' sou eu. Viu? Qualquer um pode criar uma classificação taxonômica. Isso não altera nenhuma espécie, é apenas uma ferramenta didática e de pesquisa, que auxilia em muita coisa, mas é apenas ferramenta. O mais usado até hoje no meio científico é a Classificação de Lineu, do século XVIII. Mas ela não foi a única: Aristóteles classificou os animais em "sem sangue vermelho" e em "com sangue vermelho" (século III a.C.), John Ray no século XVII apresenta o conceito de "espécie", entre outros. Abaixo, na figura, pode-se observar como isso tem variado até hoje!!

Desenvolvimento da Taxonomia de 1735 a 1990.
Assim, observa-se que a taxonomia é uma ciência bastante mutável e nada rígida. Por exemplo, não podemos desvalorizar Aristóteles pela taxonomia que ele desenvolveu: caso desvalorizemos-o, estaremos olhando o século III a.C. com os olhos de agora. E isso é de uma ignorância histórica absurda.

Existe ainda uma outra classificação taxonômica ainda mais antiga, que a chamarei didaticamente de Taxonomia Mosaica. Ela foi descrita por volta dos anos 1391 a.C. - 1271 a.C (Wikipedia) por Moisés, pois foi o tempo de vida dele. Nele, Moisés descreve atos que hoje, cientificamente falando, está errado. Mas o relato Mosaico não tem compromisso com a Ciência Moderna, visto que Galileu, pai desta, veio a existir milhares de anos depois de Moisés. Por exemplo, Moisés relata que coelhos "ruminam" e que "morcegos" são aves. Leia o trecho abaixo: 

"Dentre os animais, todo o que tem unhas fendidas, e a fenda das unhas se divide em duas, e rumina, deles comereis. Destes, porém, não comereis; dos que ruminam ou dos que têm unhas fendidas; o camelo, que rumina, mas não tem unhas fendidas; esse vos será imundo; E o coelho, porque rumina, mas não tem as unhas fendidas; esse vos será imundo; E a lebre, porque rumina, mas não tem as unhas fendidas; essa vos será imunda. Também o porco, porque tem unhas fendidas, e a fenda das unhas se divide em duas, mas não rumina; este vos será imundo. Das suas carnes não comereis, nem tocareis nos seus cadáveres; estes vos serão imundos. De todos os animais que há nas águas, comereis os seguintes: todo o que tem barbatanas e escamas, nas águas, nos mares e nos rios, esses comereis. Mas todo o que não tem barbatanas, nem escamas, nos mares e nos rios, todo o réptil das águas, e todo o ser vivente que há nas águas, estes serão para vós abominação. Ser-vos-ão, pois, por abominação; da sua carne não comereis, e abominareis o seu cadáver. Todo o que não tem barbatanas ou escamas, nas águas, será para vós abominação. Das aves, estas abominareis; não se comerão, serão abominação: a águia, e o quebrantosso, e o xofrango, E o milhano, e o abutre segundo a sua espécie. Todo o corvo segundo a sua espécie, E o avestruz, e o mocho, e a gaivota, e o gavião segundo a sua espécie. E o bufo, e o corvo marinho, e a coruja, E a gralha, e o cisne, e o pelicano, E a cegonha, a garça segundo a sua espécie, e a poupa, e o morcego.
Levítico 11:3-19

A classificação mosaica em nada mudou a fisiologia das espécies descritas. E também serviu didaticamente para a população daquela época. Assim, julgar a classificação mosaica com os olhos científicos de hoje é pura demonstração de falta de conhecimento histórico. É apenas ser realmente cruel e enganar os menos entendidos a troco de nada. É ser, em última análise, extremamente preconceituoso ou teismofóbico. 

Edgard MacFraggin'

quinta-feira, 7 de junho de 2012

As Tartarugas Ninjas e o Evangelho

Destruidor 
"O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância." João 10:10



Desde muito pequeno, meu desenho favorito foram as Tartarugas Ninjas. Até hoje, como um bom nerd mantenedor de tradições, ainda gosto bastante. Os jogos são excelentes, principalmente o "Turtles in Time", do SNES. Assisti todos os quatro filmes, e os acho muito bons. No último, lançado no Brasil no dia 13 de Maio de 2007, eu fiquei muito triste porque o horário do site do cinema estava errado, e quando fui pra lá esperando pela última sessão, esta tinha sido horas antes. Fui forçado a assistir dois dias depois, no dia 15 de Maio...

Bom, nerdisses a parte, quero compartilhar essas palavras de Jesus de João 10:10, comparando com a atualidade. O diabo (ladrão) veio para roubar, matar e destruir. O inimigo das Tartarugas Ninjas mais clássico é justo o Destruidor (acho que foi a tradução, talvez o mais correto fosse "Retalhador" - como publicado nos primeiros quadrinhos aqui do Brasil). E para mim esse nome se encaixa perfeitamente com o personagem e para a comparação que estou fazendo. 

O olhem como que o universo TMNT (Teenage Mutant Ninja Turtles) se parece com o cristão: são quatro tartarugas bem treinadas lutando a maioria das vezes sozinhas contra todo o exército comandado pelo Destruidor, o Clã do Pé (Foot Clan)! Muitos cristãos têm lutado praticamente sozinhos contra esse mundo cruel, não se conformando com esse século (segundo Romanos 12:2), enquanto muitos outros, tão capacitados quanto estão calados, inertes, sob a desculpa de "não vou falar nada porque senão vai atrapalhar a pregação do evangelho". Tenho lidado muito com ateus no meio acadêmico. E os poucos cristãos que estão ali muitos estão calados. Prestem atenção: se vocês falarem sobre a Verdade, os ateus não terão repulsa ao Evangelho, sabem porque? Porque eles já têm completa repulsa à Deus, à Fé cristã, aos padrões morais, etc. Então, se vocês também abrirem a boca, talvez algo acontecerá, e algo de positivo. Levantem!! Se preparem!! Nosso Deus está às portas!! A hora da Batalha Final se aproxima!! 

Em cima, da esquerda pra direita: Leonardo e Raphael
Embaixo, da esquerda pra direita: Michealangelo e Donatello
Nós somos como as TMNT: somos poucos, mas faremos a diferença. Lutaremos pela Força que Nosso Deus nos deu contra o Destruidor das nossas almas. 

Cowabunga, dudes! 

Edgard MacFraggin'