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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Sacrificando o Passado para Realizar Sonhos no Futuro

                 
                Estou na metade da leitura do livro "A arte de se salvar" - do Rabino Nilton Bonder - e como esse livro é excelente! Vale muito a pena a leitura dele. Nos faz refletir sobre como lidamos com coisas desagradáveis que nos aconteceram e o medo que elas encerram em nós com relação ao futuro. Serei muito suscinto nesse artigo, por isso recomendo a leitura do livro para um entendimento mais profundo sobre essas questões.
                Bom, segundo o Rabino Nilton Bonder, não podemos ter medo daquilo que ainda não conhecemos. É como falar que uma comida tem gosto ruim sem nunca a termos experimentado. Não faz sentido, mas é justamente isso que tentamos repetidamente fazer. Quando temos medo do Des-Conhecido estamos apenas preenchendo o Des-Conhecido com aquilo de Conhecido que já vivenciamos. É uma forma esdrúxula de tentar controlar aquilo que Des-Conhecemos. E essa tentativa de controlar pode chegar à pontos extremos, desde uma simples desistência sem nenhuma tentativa até um suicidio - local onde o controle é absoluto, mas de nada adianta mais.
                Assim, o autor do livro nos convida a compreender essas questões sob uma nova ótica. Não devemos sacrificar o Futuro por ter tido experiências amargas no Passado. Apenas no Futuro existe um espaço para os Sonhos. Não faz nenhum sentido alguém afirmar que "sonha quando chegar 1987 realizar tal feito". Ainda, tempos tanto anteriores ao nosso nascimento como posteriores ao presente não podem nos causar medo. Ninguém vivo atualmente sente medo de algo que aconteceu em 1808 e do mesmo modo não deveria ter medo hoje - 30 de maio de 2016 - de algo que vá acontecer amanhã ou no próximo ano.
                Desse modo, devemos então pegar tudo aquilo que nos foi ruim e entender que o Futuro não necessariamente será assim. No Futuro existe o "espaço" para sonhar e realizar sonhos. Diante de um Passado ruim, sacrifica-se o Passado e não o Futuro. Quem sacrifica o Futuro encontra apenas tristeza, depressão e suicídio.

Edgard MacFraggin' 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Ter depressão: um terrível pecado

Ter depressão é pecado. Transtornos de humor e psicológicos, bipolaridade, pânico, etc, também são todos pecados. De igual modo, ter dor de barriga, unha encravada, cólicas menstruais, infarto do miocárdio, espinhas no rosto, diarreia, desidratação, náuseas, pressão alta, osteoporose, obesidade, reumatismo, bronquite, pedra nos rins, colesterol alto, gripe, caquexia, etc, é tudo pecado também. Quem fica doente é um pecador.
Sei que o primeiro parágrafo teve uma construção bastante absurda. Mas infelizmente, muitas pessoas, de diferentes religiões, acreditam que ter transtornos ligados ao Sistema Nervoso Central seja pecado, e um dos mais graves pecados. Eu acho que, pelo menos atualmente, qualquer um que tenha religião - seja judeu, cristão, muçulmano, o que for - quando tem algum problema de saúde procura um médico. Se alguém quebra um braço, não vê nenhum problema em ir ao hospital colocar uma imobilização ou algo do tipo. Se tem dor abdominal, certamente toma um chá, ou algum medicamento para alívio das dores. Parece-me as vezes que, no discurso de alguns religiosos, uma pessoa pode ter problemas patológicos em quaisquer sistemas do organismo - cardiovascular, respiratório, digestório, articular, urinário, etc - que é algo aceitável, passível de tratamento, de tomar medicação sem nenhum problema. Agora, se alguém apresenta algum distúrbio no Sistema Nervoso (no sentido fisiológico do termo, como qualquer outro dos Sistemas do organismo) é porque essa pessoa é "pecadora", porque é "um pecado ter doenças ou patologias neurológicas". Já estou cansado de ouvir pessoas dizerem que "ter depressão é pecado". Isso me faz lembrar bastante da Idade Média, em que as pessoas acreditavam piamente que crises epilépticas eram na verdade uma possessão demoníaca! Mas, naquela época, a ciência não era tão avançada quanto hoje e nem métodos diagnósticos tão bons.
Algum tipo de pecado é responsivo a tratamento medicamentoso? Será que um adúltero pode tomar um remédio e parar de adulterar? Ou um idólatra tomar uma injeção e abandonar a idolatria? Sabe-se que pessoas em crise psíquica respondem a tratamento medicamentoso, logo, existe uma base patológica por trás desses problemas. Se há uma alteração na concentração de determinados neurotransmissores no cérebro, transtornos ligados ao comportamento certamente irão ocorrer. Existem pessoas que têm predisposição genética para o problema, existem famílias em que esses tipos de crise surgem em diferentes indivíduos - da mesma forma como existe predisposição genética a ter pressão alta, diabetes, entre outras doenças.
Na Bíblia vemos exemplos de homens elevadíssimos espiritualmente que passaram por situações em certo sentido semelhantes a quadros depressivos. Tanto o grande profeta Moisés quanto o profeta Elias tiveram momentos em suas vidas que tiveram vontade de morrer (vontade normalmente presente em pessoas em quadro depressivo). E será que eles pecaram por isso? Eu creio que não. Somos humanos, somos fracos, somos limitados. Será que alguém é capaz de suportar tamanho sofrimento sem desejar a morte? Moisés e Elias desejaram a morte, e eram homens, como já disse, elevadíssimos.
Ter depressão não é ser insatisfeito com relação ao Eterno. É ser incapaz de conseguir romper, de enfrentar sofrimento. É ser insatisfeito consigo mesmo, é achar-se incapaz. E eu digo isso não apenas como alguém que conhece pessoas que passaram por quadro depressivo, mas como alguém que já passou por depressão. Lembro-me que quando tive a crise quem mais me ajudou - fora meus familiares - foram pessoas que já tinham enfrentado e superado alguma crise depressiva. Eram pessoas amáveis e pacientes, que realmente me ajudaram nesses momentos críticos - e devo muito a elas. Desmerecer uma pessoa que enfrenta um transtorno psicológico, chamando-a de "pecadora" ou dizendo "você está assim porque você quer" é semelhante a eletrocutar um cachorro tetraplégico. É piorar o sofrimento de alguém que precisa mais do que nunca ser acolhido, ser cuidado. Naqueles terríveis dias que passei, pessoas sem nenhum vínculo forte com religião, até mesmo ateus, me ajudaram mais que muitos 'religiosos' por aí. Trataram-me com dignidade e ajudaram-me a recuperar a dignidade. Não me causaram humilhação seja em particular como em público e respeitaram o meu espaço. Pessoas religiosas também me ajudaram naquela época, e foi bastante preciosa a ajuda que me deram. Eu particularmente penso que é uma grande maldade alguém que diz amar a D'us classificar alguém com qualquer tipo de transtorno como um simples pecador, como se o quadro por qual a pessoa passa seja apenas um "pecado". Basta lembrar-se do Rei David e de seus Salmos que relatam seu sofrimento. Nós estamos passíveis a sofrer, e sofrer não é sinônimo de ingratidão contra D'us. Rebelar-se contra D'us por conta do sofrimento é pecado, pois rebelar-se contra D'us de qualquer modo é pecado. Entretanto, muitas vezes o sofrimento serve não para o distanciamento entre o homem e D'us, e sim para uma aproximação. A vida não é um mar de rosas e creio que poucos são aqueles que realmente conseguem, sem nenhuma hipocrisia, estar satisfeitos com a situação em que se encontram em todo o tempo. Existem dias que são felizes, existem dias que são tristes. E as vezes a ordem é "se entristeça" (vide o Yom Kippur).

Abaixo, alguns vídeos interessantes do médico Dr. Jair Mari, nos quais ele explica brevemente o lado fisiológico desses transtornos:





Que o Eterno nos abençoe e nos livre do mal.
Edgard MacFraggin’ 



quarta-feira, 2 de maio de 2012

Depressão: um mal real, mas Deus me curou

Novamente direi: alegrem-se!” 
Filipenses 4:4
 
            O ano passado para mim foi muito difícil em diversos aspectos. A saída da casa dos meus pais, uma nova moradia, uma nova cidade, nova igreja, novos amigos. Novos desafios. O resultado no final do ano foi o inicio de uma crise forte de depressão.
            Foram dias horríveis. Dias em que eu pensava em morrer, todos os dias praticamente. Sabia até que dose de medicamento seria letal... pensei sim em suicídio. Mas eu sabia que Deus não se agradaria disso e que também haveriam conseqüências eternas para esse ato. Não contei para ninguém sobre isso, mas talvez fosse visível em como eu estava vivendo. Cheguei a pensar que tinha perdido a Salvação, que Deus com certeza não estava se agradando da forma como eu estava vivendo, que Ele tinha me abandonado. A tristeza era tanta, que parecia ser palpável. A vida era uma droga. Simples assim.


            Nesse período, praticamente não fiz nada do que estou acostumado a fazer. Quase não joguei videogame, quase não li a Bíblia ou quadrinhos, não fiz praticamente nada. Alguns dias, passava-os inteiros em frente ao computador olhando nada. No início, joguei muito xadrez, isso me distraia bastante, me ajudou ali no início. Além de tudo isso, não queria mais nem tomar banho, vários dias fiquem sem tomar banho. Não fosse a insistência principalmente da minha família, tinha ficado por isso mesmo, um verdadeiro “Cascão”.
            Comecei a fazer tratamento com medicamentos, que me ajudaram no lado físico da doença. O pr. Pedro Botelho foi o psicólogo que muito me ajudou a enxergar diversas coisas que não percebia, e eu sou muito grato a ele e ao seu ministério. Outras pessoas estiveram ao meu lado constantemente, mesmo sabendo que eu não tinha NADA a oferecer a elas. Faço questão de destacar os meus pais, meu irmão, o tio Wesley, o pr. Roberto e a irmã Marcione, os pastores da PIB de Piracicaba, o irmão Mauro e Deuzinha, o Lucas, o César, a Juliana, a Fofi, o Victor, o César (professor do Kung Fu), a Stela, o Bernardo, entre outros. Até o Donald – meu cachorro – esteve ao meu lado! Eles sabiam do problema e me incentivaram, ligavam, cuidavam de mim.
            Hoje eu percebo que o que me fez ficar mal foi ter sido passivo a muita coisa, mesmo em meu prejuízo, em nome da diplomacia. Não valeu a pena. Fui extremamente prejudicado por conta disso. Pessoas trabalharam ativamente visando o meu mal. Creio que os fatos mais graves que sofri ano passado foram Estelionato Qualificado pelo Concurso de Pessoas e Lesão Corporal Dolosa Qualificada por Motivo Fútil (que foi Leve apenas porque Deus me guardou, porque tinha tudo para ter sido Gravíssima). E esses crimes ainda restam impunes! De pessoas em quem depositei minha confiança, de modo bastante inocente. Não vou citar o nome de quem fez isso, porque isso não importa. Mas me fez muito mal. Fez-me, com o tempo, adoecer. Assim, Piracicaba, o mestrado, tudo se tornou um verdadeiro inferno para mim. Paguei um preço muito caro por tudo isso. Mas eu sei que o meu Deus me vingará. 
            Mas esses meses passaram. Desde o início do ano, estou de volta na casa dos meus pais, e isso foi essencial para a minha melhora. Não tinha condições de continuar morando em Piracicaba, pelo menos naquela época. Voltei para casa para me restabelecer, e hoje acho que ainda não estou 100%, mas talvez uns 70% já esteja. Me sinto animado, voltei a fazer coisas que eu sempre gostei, a ter alegria em ir para a igreja, de estar com os amigos, etc.
            Talvez agora você me pergunte se eu ainda acho que a vida seja uma droga. Sim, eu ainda acho, e foi isso o que eu aprendi com a depressão. Jesus disse em João 16:33 que no mundo teríamos aflições e problemas, mas que tivéssemos bom animo. Lá em Filipenses, Paulo diz que devemos nos alegrar. Imperativo. A Juliana foi quem primeiro me mostrou esse texto de Filipenses, e eu não entendi nada naquela época. Mas agora eu entendo esse texto, vou compartilhar o que eu penso.
            O ar que a gente respira é bom? Não, é uma droga. E a água que bebemos? Também é uma droga. Tudo da Criação ficou uma droga, por conta do pecado. Se estivéssemos no Jardim do Éden, o ar seria maravilhoso, a água, tudo, tudo, tudo. Por isso digo que a vida agora é uma droga. Mas Deus nos deu coisas para aliviar esses momentos, nos enchendo de alegria, mesmo a vida sendo uma droga. Se a vida é uma droga, qualquer coisa deve ser capaz de nos alegrar. Pequenas coisas. Se eu brinco com meu cachorro, é motivo de alegria. Deus o criou, permitiu que o tivesse, e isso me dá alegria. Mesmo a vida sendo uma droga, eu sinto alegria. Por estar com os amigos, sinto alegria. Por dormir e acordar, sinto alegria. Por não estar doente, sinto alegria. Eu não espero mais nada dessa vida, ela é uma droga mesmo. Mas me recuso a não me alegrar, porque Deus tem suprido as minhas necessidades.
            Agora, eu amo a Deus. Talvez, mais do que antes. Ele não me abandonou. Tocou no coração de pessoas para que elas estivessem comigo e se preocupassem e cuidassem de mim. As trevas foram embora da minha mente, esse monstro que me assolava foi para um calabouço. Viver é bom, embora a vida seja uma droga. Viver é bom, apenas se servimos a Deus.

Edgard MacFraggin'