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segunda-feira, 19 de maio de 2014

A Dignidade de ser Diferente


Artigo baseado nos livros “A Dignidade da diferença – Como evitar o Choque de Civilizações”, “Para Curar um Mundo Fraturado – a Ética da Responsabilidade”, ambos do Rabino Lord Jonathan Sacks, “A Rosa de Treze Pétalas: Introdução à Cabala” do Rabino Adin Steinsaltz, “O Amor é minha Religião” do Rabino David Aaron e “A História do Povo de Israel” do historiador e embaixador de Israel Sr. Abba Eban.

                Falar sobre diversidade numa era de pluralidade vastamente percebida pela globalização é um assunto realmente difícil e igualmente necessário. Diversos povos, em todas as eras, passaram por aqui sem sequer saber da existência de diversas civilizações. De nem mesmo saber das dificuldades de outros povos, ou das mazelas que estes enfrentaram. Mas graças aos meios de comunicação instantânea, dificilmente alguém desconhece das mazelas da África, da pobreza da Índia, das guerras do Oriente Médio, das plantações de coca da América do Sul, etc. E nesse momento torna-se possível também uma expansão do “ame ao próximo como a si mesmo”. Hoje é possível com apenas um clique do mouse mandar dinheiro para vítimas de catástrofes naturais ou vítimas da fome em um continente distante. Existem novas possibilidades de se fazer o bem. Mas é justamente essa possibilidade por conta da proximidade que pode ser fonte também de confrontos sangrentos entre povos e culturas.
                Dizem que judeus gostam bastante de perguntas. Então começarei com algumas delas: será que existe dignidade em ser cristão? Será que existe dignidade em ser muçulmano? Ou mesmo judeu? Ou ateu? Ou homossexual? O Rab. Jonathan Sacks chama-nos atenção dizendo que “(a) diferença mais incomoda do que nos engradece”. Bom, pegando uma parte importante da história de Yeshua, um momento em que ele ratifica a Torá dizendo sobre os dois maiores mandamentos “O Eterno é Um, ame o Eterno de todo teu coração” e “ame ao próximo como a ti mesmo” (Mordechai “Marcos” 12:29-31) nos mostra qual deve ser a direção do nosso amor. O nosso amor deve olhar para fora. Deve olhar para um outro sempre, seja esse Outro o Eterno, bendito seja, seja o outro o nosso próximo. E se nos consideramos alguém ou algum povo ou devoto de determinada religião como inimigo, fica outro ensinamento de Yeshua: “ame teu inimigo” (Matityahu “Mateus” 5:44). Nós devemos amar as pessoas, independentemente de credo ou etnia. E acredito que isso passa pelas vias de estender a mão e de não colocar um peso sobre os outros como condição para os amar. Uma forma que gosto de sintetizar o “ame o próximo como a si mesmo” é da seguinte forma: Sinta de forma real a dor virtual de teu próximo. A dor do outro não pode ser sentida fisicamente por um terceiro. Mas em um nível virtual, ou mesmo espiritual, pode ser sentida. E isso nos impulsiona a agir. Agir para socorrer, estender a mão, estancar o sangramento do próximo, seja sangue no sentido físico como no emocional.
                Infelizmente, muitas vezes nós reinterpretamos ou mesmo nos esquecemos dos ensinamentos preciosos da Torá. Nós medimos o outro tomando como padrão a nós mesmos. Se alguém age diferente de mim esse alguém está inexoravelmente errado. E isso nos trava e nos atrapalha. Talvez o ponto que isso mais ocorra seja justamente no ponto mais pessoal da fé: na colocação das cercas. As cercas, de pessoa pra pessoa, são diferentes, até mesmo pela sua natureza. Yeshua nos ensina que “não devemos julgar” os outros (Matityahu “Mateus” 7:1). Os mandamentos, como citei no início do texto, se referem a “amar” e não a “julgar”. Só o Eterno, bendito seja, pode julgar alguém. Ninguém mais.
                Mas então, o que é amar? Segundo o Rab. David Aaron, amar o próximo é semelhante ao ato cabalístico da Criação: nós devemos abrir um espaço em nós mesmos (um “tsimtsum” pessoal” por assim dizer) para que outro diferente de nós possa habitar. “No princípio havia apenas eu...” Ele e o Rab. Steinsaltz enfatizam a importância de não se perder a própria identidade e de reconhecer a identidade do outro. Do atrito de duas identidades distintas surge então a energia, as faíscas explosivas do amor. E isso faz todo sentido: se devemos “amar o próximo como a nós mesmos” como vamos respeitar a individualidade do outro se não respeitamos ou mesmo cultivamos nossa própria individualidade? O Rab. David Aaron coloca "Se digo 'sim' apenas porque não consigo dizer 'não', não estou em um relacionamento. Perdi minha liberdade, minha identidade e meu senso de individualidade. Por outro lado, se tenho vontade de dizer 'não' porque tenho necessidade de afirmar minha independência, não aprecio que somos na verdade um só. Por que dizer 'não' quando compartilhamos um ser? Aqui está uma oportunidade de expressar nossa unidade. Amor significa que sou capaz de dizer 'não', porque não sou você e você não é eu. No entanto, escolho dizer 'sim' porque somos um. Não há conflito ou competição, nenhuma luta por liderança absoluta. Embora sejamos indivíduos distintos e muito diferentes, somos um e nos amamos." Isso é bastante profundo.

                Se perdermos nossa individualidade, perdemos a nossa capacidade de cumprir nosso mazal, nosso destino. O Rab. Steinsaltz afirma que "a pessoa mais 'elevada' do mundo não pode cumprir a missão da pessoa mais 'rebaixada'"  Quando chegarmos ao Mundo Vindouro, o Eterno não nos perguntará algo do tipo “Fulano, por que você não foi como Moisés, como David, como Abraão, ou Isaac ou Jacó?” Ele nos perguntará “Fulano, por que você não foi Fulano?” Este é um ensinamento da Ética dos Pais. Muita das vezes somos intransigentes consigo mesmo. Somos fundamentalistas contra nossa individualidade e muito mais contra a individualidade dos outros.
                Por definição, fundamentalismo é “atitude de intransigência ou rigidez na obediência a determinados princípios ou regras”. Assim sendo, pode-se pensar em fundamentalismo judaico, cristão, muçulmano, ateu, LGBT, etc. Qualquer tipo de comportamento humano é passível de ser fundamentalista. Vemos um período assim na própria história do povo de Israel. No período entre a Revolta Macabéia e o nascimento de Yeshua, o poder passou dos gregos para os judeus, mas depois os judeus perdem sua soberania para os Romanos. E o que aconteceu nesse intervalo? Abba Eban coloca que esse período foi marcado pelas expansões territoriais engendradas pelo rei e sumo-sacerdote João Hircano, seguido posteriormente por seus filhos, que era sobrinho do próprio Judá Macabeu. Ele cobrava impostos pesados do povo e os investia em poderio militar. Chegou a anexar os territórios da Samaria, Transjordània e Iduméia. Além disso, forçou que esses povos dominados fossem obrigados a praticar o Judaísmo como religião, algo completamente proibido pela Torá, ou seja, de forçar alguma pessoa a cumprir a Torá. Isso teve um alto custo para o próprio povo judeu: Herodes era um idumeu que fora forçado a cumprir a Torá. Portanto, ele nutria um ódio todo especial contra o nosso povo e colocou esse ódio em prática. Pouco antes do nascimento de Yeshua, os saduceus armam contra o próprio povo e ajudam os Romanos a dominar sobre Israel. Talvez esse episódio da história de Israel seja bastante desconhecido, mas houve sim fundamentalismo judaico no passado. Na Idade Média vemos um forte fundamentalismo cristão, e mais recentemente, fundamentalismos islâmicos, político, ateu, LGBT, etc. Todos esses movimentos fundamentalistas são chamados pelo Rab. Sacks de o “Espírito de Platão”, ou seja, "o que é diferente de mim me ameaça, devo destruí-lo". E esse destruir o diferente é necessariamente “não amar o próximo”.
                A estrutura de pensamento que domina todo o ocidente, das religiões às ações políticas e científicas, é uma estrutura de pensamento grego. Oras, será que ao sair de uma estrutura de pensamento grega deve-se apenas colocar um recheio judaico? Ou será que é importante mudar a estrutura de pensamento de grega para judaica? Eu diria que não é apenas importante: é essencial. Vejamos agora a questão da diferença entre Mandamentos e Cercas. Mandamento é aquilo que a Torá diz que tem que ser, e não é discutível. As cercas são colocações pessoais, autolimitações, visando-se que não se saia do caminho proposto pela Torá. Assim, como exemplo, um ex-alcóolatra tem como cerca o nunca comer um bombom de licor, pois comer um desses pode-se tornar motivo de grande pecado para ele. Mas não é por isso que comer bombom de licor se torna um pecado: ele não pode exigir essa dieta de mais ninguém além dele mesmo. Quem tem dificuldade nessa área é ele, não os outros. Para muitos, comer um bombom de licor é um prazer lícito. Caso contrário, acaba-se entrando em doutrinas que fogem da Torá e que afirmam coisas do tipo “jogar futebol é pecado” ou “mulheres que usam maquiagem são pecadoras”. Isso é um completo absurdo. A Torá permite tudo isso. Mas além de se imporem regras absurdas, as pessoas querem que os outros as cumpram, colocando um peso desnecessário, um peso que está fora dos padrões da Torá nos outros. Ninguém fica mais elevado espiritualmente pelo simples fato de não usar bermuda, ou de não escutar determinado tipo de música ou ver determinado filme. Claro que ninguém irá de bermuda pra um Serviço da Sinagoga, nem irá escutar musicas ou assistir filmes que falem de idolatria. Entretanto, a Torá não nos proíbe de ir ao cinema, de escutar musicas de estilos diferentes e de usar bermudas. São exemplos simples, entretanto, bons exemplos. Se alguém se abstém de escutar Rock n' Roll, ótimo. Mas ele não pode exigir isso de mais ninguém, pois a Torá não proíbe escutar Rock. Entretanto, alguém que teme o Eterno não deve escutar músicas de Rock que falem de idolatria ou que blasfemem contra o Eterno – músicas que também existem no meio do Rock. Só como título de exemplo, existem vários judeus, até mesmo rabinos, que fazem parte de bandas de Rock (vide o chassídico Menachem Herman cantando “Sweet Home, Sweet Jerusalem” – clique aqui no link). Em Romanos 14:3, Sha’ul afirma que “quem come verduras não julgue o que come carne, nem vice-versa”. Creio que devemos ir por aí. Um outro exemplo: o que é pior? Fumar um cigarro ou comer carne de porco? Bom, a Torá proíbe categoricamente o comer porco, mas não nos proíbe de fumar. Existem diversos rabinos e judeus que fumam, por exemplo. Mas fumar pode-se tornar um grande pecado? Sim, pode. Fumar no Shabat e nas Santas Convocações é um grande pecado, pois é proibido acender fogo nesses dias.
             O Rabbi Akiva e seus discípulos exemplificam isso no lamentável episódio da praga de mortandade. Rabbi Akiva ensinava que devemos “amar ao próximo como a nós mesmos”. Então seus discípulos entenderam que “amar o próximo como a si mesmo” significava “não deixe o teu próximo errar”. Assim, se corrigiam a todo momento. Mas a coisa foi ficando mais séria, e, visando impedir que o próximo cometesse um erro, começaram a se agredir fisicamente. Isso desagradou o Eterno, e os discípulos começaram então a morrer, morrendo 24.000 deles, terminando essa praga em Lag BaOmer. E é esse tipo de erro que não devemos cometer. Não devemos colocar ou impor nossas próprias cercas nas demais pessoas.
                A Torá nos ensina que não devemos aprender sobre os costumes idólatras dos outros povos. Não deve haver sequer ecumenismo. Entretanto, não podemos desprezar os demais povos. E cada um deles deixou um boa contribuição para a humanidade, que nós judeus utilizamos. Os ternos (tão usados ternos pretos e camisas brancas) foram inventados por franceses católicos da corte do rei Luís XIV no século XVIII. Os chineses inventaram o papel-moeda, bússola, garfos, macarrão, carrinhos-de-mão, pipas, escova de dentes e papel-higiênico. Os árabes, o hábito de beber café, xampu e instrumentos cirúrgicos (muito semelhantes ao que usamos até hoje).  Protestantes criaram o automóvel e a caneta esferográfica. O Facebook e a lâmpada foram criados por ateus. Um hindu inventou o computador pessoal. Os gregos, a medicina e o método científico. Os óculos então devem ser  um dos objetos mais “pagãos” que existem: o vidro foi criado pelos egípcios, o óculos pelos gregos, sendo posteriormente aperfeiçoados por monges católicos e muçulmanos. Quem vos escreve usa óculos e talvez você que está lendo também.
                O Rab. Jonathan Sacks pondera que existe 1 versículo para "amar o próximo" e 36 versículos para amar o estrangeiro. Os sábios da Mishná afirmam que o canto do campo, as espigas caídas devem servir para os pobres, até mesmo os pobres de outros povos, ainda que estes sejam idólatras. Na Ética do Sinai temos o episódio de Pai Abraão e o idólatra de 70 anos de idade. Pai Abraão pede que este homem apenas agradeça o Eterno pela refeição que teve, mas ele se recusa. Abraão então o expulsa com raiva. O Eterno então pergunta a Abraão: “Eu tenho suportado esse idólatra habitar em Mim por 70 anos e você não pode suportá-lo por cinco minutos?” Quando os egípcios se afogaram, os anjos quiseram comemorar. Mas o Eterno os proibiu e lhes disse: “Minhas criaturas se afogaram e vocês estão celebrando?” O Eterno ama a todos os povos, Baruch HaShem.
      Assim, volto a minha pergunta inicial: existe dignidade em ser cristão? Existe dignidade em ser muçulmano? Ou mesmo judeu? Ou ateu? Ou homossexual? É claro que existe, em todos os casos. As pessoas não representam os erros de seus movimentos. Todas elas são a Imagem do Eterno. E será que existe dignidade em ser à Imagem do Eterno? É óbvio que sim. O Eterno nos deu liberdade. Quem somos nós para querer se colocar no lugar dEle, que Ele não permita, e querer podar a liberdade dos outros? Ainda, há espaço para o Bnei Noach no Judaísmo – os rabinos ensinam que não há necessidade de se tornar um judeu! Segundo o site do Chabad, o próprio Maimônides era o médico pessoal do Grande Vizir Alfadhil e do Sultão Saladin, ou seja ele cuidava da vida e da saúde desses lideres muçulmanos. Há dignidade em ser judeu, cristão, muçulmano, ateu, etc, pois há dignidade em ser a Imagem e Semelhança do divino.
O Rab. Sacks ensina que a grande diversidade de produtos que existe no Mercado o engrandece e não o diminui. Nossas diferenças também nos engrandecem: cada povo contribuiu com sua própria cultura para a humanidade. Ai de nós se todas indústrias produzissem os mesmos produtos. Esse exemplo serve para mostrar que nossas diferenças nos engrandecem, ensina o Rab. Sacks. As relações de comércio sempre foram uma alternativa à guerra.
E como usar a individualidade para amar o próximo? Aqui entra a criatividade. Creio que cada um tem seu próprio pedacinho do mundo pra consertar. Hoje a internet facilita muito isso também. Basta querer, procurar, se informar que as possibilidades de “colocar a mão na massa” surgem. Que HaShem nos ajude nesse sentido.

Edgard MacFraggin'

domingo, 3 de novembro de 2013

Um chamado à Responsabilidade

 “Ama o próximo como a ti mesmo” Levítico 19:18.
Seis mil idiomas são falados ao redor do mundo hoje, mas apenas um deles é verdadeiramente universal: a linguagem das lágrimas” Rabino Jonathan Sacks
Vivemos em tempos difíceis. Vivemos em um mundo hedonista em grande parte, que valoriza o próprio indivíduo, a busca de satisfação pessoal mesmo em detrimento do bem-estar de outros. O Judaísmo vai de encontro a todo esse pensamento: é uma religião que praticamente não fala do “eu”. Fala do “Shemá Israel” e do “ama o próximo como a ti mesmo”. É sempre sobre um Outro ou sobre vários outros. É, assim, uma religião que exige uma Ética. Não apenas pregar, mas exercer ação. É a Ética da Responsabilidade.
Mas por que a pobreza é um problema? O rabino Jonathan Sacks afirma que a pobreza não dignifica a alma e nem a refina; ela faz apenas a pessoa se voltar para dentro de si, anestesiando sua sensibilidade, aniquilando o espirito e humilhando a própria alma. Os Sábios se recusam a romantizar a pobreza. Classificam-na como um mal implacável. Dizem que “numa casa a pobreza é pior do que 50 pragas”. Ainda, dizem que “a pobreza é uma forma de morte”. Vale lembrar-se de uma das rezas do Sidur que diz que “Os idólatras não louvam ao Eterno; nem os que descem à sepultura”. Uma pessoa pobre não pode servir a Hashem adequadamente. Os sábios afirmam que “se não há o que comer, não pode haver Torá”. Maimônides afirmava que era impossível direcionar a mente para coisas elevadas quando se tem fome, sede, dor ou falta de abrigo. A pobreza nos impede o correto relacionamento com o Eterno. Impede que desfrutemos dos prazeres lícitos que Ele fez para nós, para todos nós.
A Torá coloca claramente que todos nós que servimos a Hashem temos um dever social de cuidar do próximo. Devemos agir com responsabilidade. Segundo o rabino Jonathan Sacks, responsabilidade vem da junção de duas palavras: resposta e habilidade, i.e., ter habilidade em dar resposta de forma adequada aos problemas que existem no mundo. O Eterno, bendito seja, nos chama a ser Seus Sócios na Criação, afirmam os Sábios. Chama-nos a criar, a dar continuidade na Sua Obra. Nos chama também para retificar aquilo que foi quebrado. Recordo-me de um episódio da história de Moisés: o episódio em que ele quebra Tábuas da Lei. Estas haviam sido dadas pelo Eterno, já prontas. Agora, para ter as segundas Tábuas, Moisés teria que ele mesmo entalhá-las. Fica disso um princípio: “você quebrou, você conserta”. Nós quebramos o mundo inteiro, todos nós representados em Adão. Temos, portanto, o dever de curar a Terra, de consertar as fraturas, de juntar os fragmentos. A Cabalá Luriânica fala a respeito disso, dos fragmentos. Cremos que Yeshua foi o primeiro recipiente que se fragmentou: cada fragmento tem uma centelha de luz divina. E devemos juntar esses fragmentos, consertar essas fraturas, pois isto é o Corpo do Messias, o corpo do Adam Cadmon.
Existe um provérbio judaico que afirma que “as necessidades físicas do teu próximo são tuas necessidades espirituais”. Yeshua ratificou em Marcos 12:31 o que já havia aparecido em Levítico 19:18. Entretanto, compreender a dor de outra pessoa é praticamente impossível. Eu não posso sentir a fome de uma pessoa estando alimentado; ainda que tivesse fome, a minha poderia ser em nível menor que a de outra pessoa. O mesmo vale para ter sede, para estar nu, estar doente, etc. São coisas extremamente subjetivas, são coisas virtuais. Então, que fazer? Pensemos assim: sinta de forma real a dor virtual do teu próximo. Pode-se destrinchar “dor” em muitas coisas, entre elas fome, sede, doença, pobreza, nudez, tristeza, solidão, etc. Yeshua apresenta exatamente esses pontos em Mateus 25:35-40: “Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver. Então os justos lhe responderão, dizendo: senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondeu-lhes: em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” Isso nos mostra a profundidade da prática da fé judaica por Yeshua. Servir ao Eterno não implica apenas as rezas, ritos, etc. Tão certo também não é apenas fazer o bem aos outros. São as duas coisas, necessariamente. Como ratificado por Yeshua, “Shemá Israel e ama o próximo como a ti mesmo”. Isso é servir ao Eterno, bendito seja. As duas primeiras perguntas de Bereshit mostram isso claramente. “Homem, onde está você?” e “onde está teu irmão?” Isso mostra que nós além do dever de nos relacionar com D’us devemos cuidar de nossos irmãos. Caim perguntou “acaso sou eu guardador do meu irmão?” e a resposta para isso era “sim”. Somos responsáveis pelos nossos irmãos. O conceito de Simchá não pode ser entendido como algo solitário. É uma alegria que surge do compartilhar, do coletivo, de algo que existe justamente porque nós compartilhamos.  
Estava refletindo sobre a questão de Yom Kippur. Muitos de nós já participamos desse dia, fazendo um jejum completo de alimentos e líquidos por 25 horas. Espiritualmente falando, nos elevamos muito, é um dia de configuração espiritual única. Agora, fisicamente falando, é muito difícil. Ficar em pé, rezar por um dia inteiro, sem água, sem comida, sem nenhum prazer. E isso é apenas um dia. Os sábios falam que se alguém faz muitos jejuns, chegando a passar mal por isso, essa pessoa é duas vezes pecadoras. O Eterno nos deu prazeres lícitos, e estes devemos aproveitar. Nossos sábios ensinam que iremos responder no Mundo Vindouro por cada prazer lícito que deixamos de aproveitar. Agora, pensemos um pouco em tantas pessoas que passam pela experiência física do Yom Kippur praticamente todos os dias do ano! E elas não tem elevação espiritual alguma. Apenas sofrem. “Ama o próximo como a ti mesmo”: lembre-se do teu próprio sofrimento físico no último Yom Kippur quando alguém vier lhe pedir algum dinheiro para comprar comida.
O rab. Sacks afirma que “a vida é um chamado de D’us à responsabilidade”. Ainda, coloca que “nós aprendemos sobre D’us emulando-O mais do que O contemplando”. Vivemos em tempos em que conceitos espirituais profundos são substituídos por coisas frias e sem vida. Vivemos um tempo em que pessoas ditas religiosas delegam sua ação para o Governo, transformado a Ética que deveriam ter em Política, a obrigação moral em legislação fria e o envolvimento pessoal em órgãos públicos sem rosto (rab. Sacks). Lembro-me de uma vez que escutei um líder de determinado seguimento religioso afirmando que “nós [instituição religiosa] não temos o dever de fazer ação social; quem deve fazer isso é o governo”. Parecia que ele dava razão ao que Karl Marx disse sobre a religião: que ela é ópio do povo. Marx acreditava que a religião servia apenas para manter o Status Quo existente, dignificar a pobreza, justificar doenças e conter as massas. Ele acreditava que para o mundo melhorar a religião deveria simplesmente desaparecer. Não podia estar mais enganado. Ele, um neto de rabino, não compreendeu o que é o Judaísmo. Judaísmo é uma religião que surge não da aceitação do Status Quo, mas de uma revolta contra ele. Não aceita o conformismo. Abraão nosso pai vivia em meio à idolatria e ele se rebela contra isso trazendo a prática do monoteísmo à Terra de forma ininterrupta até nossos dias. Ele se levantou justamente contra os impérios politeístas egípcio e mesopotâmico – sendo que estes sim usavam a religião para glorificar os reis/faraós, oprimir o povo e conter as massas. O Judaísmo começa dando liberdade a um povo escravo, e não o escravizando.

O Pirkê Avot nos conta que certa vez um homem muito rico foi dar uma festa. Ele tinha 20 conjuntos belíssimos de talheres de prata e convidou outras 19 pessoas para jantar com ele. Estava tudo pronto: 20 lugares dispostos na mesa e os conjuntos de talheres em seus lugares. Os convidados foram chegando um a um e tomando seus lugares. O último convidado chegou, sentou-se a percebeu algo estranho: ele não tinha talheres. Foi falar então com o anfitrião da festa sobre isso. O anfitrião lhe disse que tinha talheres para todos e que se não havia talheres para ele apenas uma coisa poderia ter acontecido: algum dos convidados estava com dois conjuntos de talheres. Isso ilustra bem o que aconteceu com o nosso mundo. O Eterno criou recursos naturais para todos, o sol brilha para todos, o ar é de todos, os recursos aquáticos e terrestres também são de todos. Entretanto, nem todos têm o que o que comer ou que beber, por exemplo. O que se deduz disso: se alguns não têm, significa que outros têm mais do que deveriam, estão com as partes que são de outras pessoas. Existem muitas pessoas sofrendo de obesidade mórbida nos Estados Unidos, enquanto outras morrem de inanição na África. Onde está a justiça nisso? É nosso dever fazer essa justiça, dar àqueles que não têm o que o Eterno proveu a cada ser humano.

Certa vez perguntaram ao rabino Chayim de Brisk (1853 – 1918) quais eram os deveres de um rabino. Ele respondeu que era o de “aliviar a dor daqueles que estão sozinhos e abandonados, proteger a dignidade do pobre e salvar o oprimido das mãos do opressor”. E será que esse é um dever exclusivo de um rabino? Creio que não. O rabino fica de costas para a congregação durante o serviço ao Eterno, pois ele também tem que prestar o seu serviço ao Eterno. De modo semelhante, temos uma missão semelhante a do rabino quanto ao próximo, Yeshua mesmo nos ensinou isso. O rabino Chayim de Brisk era um homem que vivia endividado por ajudar os outros. Apesar disso, no inverno ele deixava as portas de sua madeireira aberta para que os pobres pudessem lá entrar e pegar lenha sem ter que passar pela humilhação de ter que pedir. Quando madeireiros não-judeus o questionavam sobre isso, por conta dos supostos prejuízos que isso causavam a eles, ele respondia que “estava economizando dinheiro para a saúde pública”. Caso não fizesse assim, iria acabar pegando uma pneumonia, visto que não teria coragem de acender sua própria lareira sabendo que outras pessoas não tinham como se manter aquecidas.  
Certa vez, o Rebe de Kamiker decidiu passar um dia inteiro recitando Salmos. O maguid de Tsidnov mandou que um mensageiro lhe chamasse. Ele disse ao mensageiro que iria mais tarde, pois ainda queria recitar mais Salmos. O mensageiro foi ao maguid e voltou ao Rebe dizendo que o maguid precisava dele com urgência. Quando o Rebe encontrou o maguid este lhe perguntou o motivo de tamanha demora, pois o maguid desejava que o Rebe saísse para coletar dinheiro para um homem pobre. Quando soube que o Rebe demorou por estar recitando Salmos lhe disse: “Salmos podem ser entoados por anjos, mas apenas seres humanos podem ajudar os pobres. A caridade é mais importante que do que recitar Salmos, pois os anjos não podem fazer caridade”.
Todas as sextas-feiras antes do sol nascer, o Rebe de Nemirov desaparecia. Não era possível encontrá-lo nas sinagogas ou em casas de oração. Sua casa ficava com as portas abertas, mas ele não era encontrado ali. Um homem de outra cidade ao saber disso perguntou aos discípulos do Rebe para onde ele ia. Eles responderam que certamente ele ia aos céus pleitear pela paz, sustento e saúde para a cidade. O forasteiro ficou incrédulo quanto a isso. Decidiu então desvendar o mistério: se escondeu na quinta-feira a noite e seguiu o Rebe sem que ele percebesse. O Rebe saiu de casa vestindo roupas comuns e carregava um machado; seguiu até a floresta, derrubou uma árvore e a dividiu em pedaços de lenha. Pegou a lenha e voltou para uma um parte afastada da cidade, numa ruazinha distante do centro. Bateu na porta de um casebre e uma senhora idosa, pobre e adoentada abriu. Ela lhe perguntou quem ele era e ele disse que estava vendendo lenha muito barata, quase de graça. A senhora disse que não tinha dinheiro. Ele disse que daria crédito a ela; ela respondeu que não teria como pagar posteriormente. Ele disse: “a senhora não confia em D’us? Ele fará que eu seja pago”. A senhora disse que não teria condições também de acender o fogo e ele o acendeu. Enquanto o acendia, ele recitava em voz quase inaudível as Bênçãos Matinais. Depois disso, ele voltou para a casa dele. O homem que o seguia se tornou então um discípulo dele. E quando escutava alguém dizer que nas sextas o Rebe ia aos céus, ele dizia “e talvez até além”.
Quando do episodio de Mordechai e Ester, Mordechai lhe disse que se ela se calasse perante aquela situação, o Eterno levantaria outro homem para trazer livramento aos judeus, mas que talvez o motivo dela ter chegado ao reinado tenha sido exatamente esse (Ester 4:14). Se não fizermos o que devemos fazer, talvez outros o façam, mas nunca teremos cumprido a que o Eterno nos deu a fazer aqui.
Mas então, como fazer tsedaká? Maimônides ensinava que existem oito formas diferentes de fazer, com diferentes graus de elevação. Falarei da mais elevada para a menos elevada:
1)      Tirando um necessitado da situação de pobreza: dando-lhe um presente ou empréstimo, acolhendo-o como sócio, ajudando-o a conseguir um emprego. Retirando dele a situação de humilhação por necessitar de outros.
2)      Doar secretamente: quem doa não sabe para quem vai, quem recebe não sabe de onde veio.
3)      Doar anonimamente: o doador sabe para quem vai, mas quem recebe não sabe de quem veio;
4)      Beneficiado sabe de onde veio: o doador não sabe para quem vai. Muitos sábios amarravam moedas nos seus xales e as jogavam para trás, de forma que os pobres podiam pegá-las sem ter que passar pela humilhação de pedir.
5)      Ajudar um necessitado antes que ele peça;
6)      Ajudar um necessitado depois que ele pede;
7)      Dar menos do que o pobre necessita, mas de forma amável;
8)      O mais baixo grau é o daquele que doa de má vontade.
O povo judeu é um povo interessante. O midrash pergunta “quem é que pode entender esse povo? Quando lhe pedem uma contribuição para fazer um bezerro de ouro, eles dão. Quando lhes pedem uma contribuição para a construção de um santuário, eles dão”. Tsedakah se aloja muito perto da essência do que é ser um judeu. Os rabinos afirmam que se “uma pessoa é cruel e sem compaixão, há razão suficiente para desconfiar de sua ancestralidade”.
Vale ressaltar que ajudar um pobre não significa adotar a pobreza para si mesmo. Nenhum carente foi ajudado por saber que um santo tomou o seu partido. Foi ajudado porque teve a chance de não ser pobre. Existe também um princípio que mesmo uma pessoa que recebe tsedakah deve dar tsedakah. Observa-se isso claramente em uma das partes do filme “Ushpizin”, quando Moshe Belanga, depois de receber uma tsedakah que muito precisava, separa uma parte e dá de tsedakah para o Ben Baruch.
Mas quem é esse nosso próximo? O rabino Meir Melamed comenta que Jacó chama a uns pastores desconhecidos, sem distinção de nacionalidade de “irmãos”. Os sábios no período da Mishná ensinaram a prática do “Darkê Shalom” (Caminhos de Paz). Eles diziam que “em benefício da paz, deve ser permitido aos gentios pobres apanhar as espigas deixadas no campo depois da ceifa, recolher os feixes esquecidos e colher dos cantos do campo; (...) devemos sustentar os gentios pobres como sustentamos os do nosso povo, devemos visitar os gentios doentes como visitamos os nossos e devemos sepultar os deles como sepultamos os nossos”. Vale lembrar que o período da Mishná os judeus estavam na Diáspora. Eram minorias que tinham conhecido a assimilação ou a revolta armada, e nenhum desses caminhos havia dado bons resultados. Assim, propõem um novo caminho, os Caminhos de Paz. Esse caminho não significa ter paz, mas criar ações que possam levar a uma boa convivência. Dificilmente teremos paz no meio de idólatras. Mas devemos fazer o bem, compreendendo que cada ser humano possui uma fagulha divina dentro de si.
O rabi Eleazar costumava dar uma moeda a um pobre antes de recitar suas preces; ensinava que está escrito “através da caridade, eu verei Tua face” (Talmud da Babilônia, Baba Batra 10a). Lembro-me de grupos que faziam evangelismo nas madrugadas de determina cidade. Durante as madrugadas, aquilo que é considerado como escória da sociedade está nas ruas. Prostitutas, travestis, dependentes químicos, mendigos, etc. Cansei de ver cenas de pessoas que vinham pedir dinheiro para voltar para casa ou para comprar comida. A resposta padrão era “eu não tenho dinheiro, mas veja, pegue um folhetinho do JC”. Aparentemente o sofrimento alheio não tinha nenhum problema (principalmente porque quem podia ajudar não estava sofrendo). Parecia ainda que este mundo físico aqui não importa para nada. A pessoa que evangelizava a outra estava fazendo uma “grande bondade”: estava livrando a alma do outro do inferno (como se humanos pudessem determinar quem está salvo e quem está condenado). Ou seja, se a pessoa recusava a “salvação” contida naquele folheto do JC era culpa dela ainda sofrer. Ela estava rejeitando um futuro “bom”. E o pior, depois que acabava o evangelismo e de falar que não tinham dinheiro, o grupo seguia para uma lanchonete pra lanchar. De graça é que o lanche não era. E eu de tudo isso porque durante algum tempo participei desse grupo. Foi bom, mas no sentido de perceber como a mensagem pura e bela da Torá está deturpada. Foi bom no sentido de me fazer olhar a Torá como algo precioso e profundo. Aprendi a lição do que não fazer.
Se alguém lhe pede comida, dê. Se alguém lhe pede água, dê. Quem somos nós para julgar o interior do outro? Que o Eterno nos abençoe e nos ensine a amar e cuidar desse próximo, não como queremos, mas como Ele quer que façamos.
Edgard MacFraggin'

Referências
“Para curar um mundo fraturado”, Rabino Jonathan Sacks, Editora Sêfer.
“A Ética do Sinai”, Irvin Bunim, Editora Sêfer.
“Torá: a Lei de Moisés – com tradução e comentários pelo Rabino Meir Matzliah Melamed”, 3ª edição, Congregação Religiosa Israelita Beth-el.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A Pedrada Primordial

Quando eu era criança, fui várias vezes ao Maranhão. Ali no interior do estado, era bem comum as crianças brincarem com estilingues (lá eles chamam de “baladeira”). Na vez que fui lá com cerca de 11 anos, meu tio-avô deu um estilingue para mim e outro para meu irmão. Junto com os primos distribuímos umas pedradas bem sapecas por aí, e bom, não me orgulho muito delas.
Acho interessante essa questão das pedradas na Bíblia. Davi atordoou severamente o gigante Golias com uma pedrada bem certeira. Depois disso, com a espada do próprio gigante, o decapitou. E pedradas também eram o método de execução ali no povo judeu, acho que principalmente em certos casos/pecados.
Talvez a vez mais lembrada no Novo Testamento foi a que Jesus disse em Lucas 8:7: “Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.” Na ocasião, uma mulher que fora encontrada no ato adúltero iria ser executada pelos fariseus e pelo povo. Mas eles queriam testar Jesus, pra saber o que ele faria. E ele fez o que Deus fez com relação a toda humanidade.
Parando para analisar, Jesus podia, depois de ter dito a famosa frase, pegar uma pedra e dar uma pedrada bem certeira na mulher. Ele nunca pecou! Ele tinha o direito, de acordo com o que ele mesmo disse, de “atirar a primeira pedra”. A “Pedrada Primordial”. Mas ele não o fez. No versículo 11 do mesmo capítulo ele diz: “Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.” Ele a perdoou, mas a alertou que não mais insistisse no mesmo erro.
Com relação à humanidade, Deus poderia muito bem destruí-la completamente. Ele poderia dar uma pedrada mortal nessa, acabando assim de uma vez por todas com o pecado. Mas ele não criou os seres humanos para esse fim. Ele nos criou para que O glorificássemos. Então, ele entregou o Seu próprio filho para ser “apedrejado” por nós, para que assim o preço do pecado fosse pago. E Jesus ressuscitou ao terceiro dia, provando assim que é Deus.
Não continue na vida de pecado, em direção a morte. E essa morte não é a morte física, e sim a morte espiritual. Entregue hoje sua vida a Jesus. O aceite como senhor e salvador. Ele se entregou à morte por todos nós. Aqueles que o aceitarem glorificarão a Deus e escaparão da Pedrada Primordial. Os que O rejeitarem, enfrentarão por escolha própria a Pedrada Primordial. E essa pedrada vai destruir o corpo, a alma e o espírito dos que se rebelaram contra Deus. E eles habitarão num lugar que há “choro e ranger de dentes” eternamente.
Edgard
 MacFraggin'

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Despedidas e Boas-vindas: a Orquestra da Vida


Depois de bastante tempo sem postar nada, voltei. Esses dias têm sido de certa forma bastante corridos, por conta do final da graduação, trabalho final, etc. Os dias passados foram sobremodo interessantes... Acho que desde Dezembro último, me despedi de amigos como nunca antes em minha vida. Na segunda metade de 2010 conheci um número grande de novas pessoas, das quais mais de três quartos não tenho nem idéia de quando irei rever.
Voltando pro Brasil, comecei a pegar de forma mais consistente na monografia. Acabei de terminá-la, para ser mais exato! E falando em cumprir deveres, retornei à fazenda onde fiz estágio por cerca de quatro anos na sexta passada para me despedir do pessoal que lá trabalha. Tecnicamente, foi a última vez que fui lá. Mais saudade ao voltar pra casa.
Não pude deixar de refletir sobre esse tema. Em breve, me despedirei de todos os que conheço desde criança, todos os amigos da adolescência e os familiares. Mudar de Estado tem essas desvantagens. A saudade vai apertar, certamente. Apertar como nunca apertou anteriormente. Mas isso faz parte da vida.
Mas sei que, chegando lá, conhecerei novas pessoas, farei novos amigos. Os amigos “antigos” certamente não serão esquecidos, essa internet é algo muito bom, não é verdade? Tem MSN, Skype, Orkut, email e tantas outras parafernálias digitais que possibilitam comunicação eficiente e de baixo custo. E também eu sei que com freqüência estarei de volta à minha terra natal.
Desde o início da graduação, fiz amigos maravilhosos. Às vezes, alguns começam a ficar distantes por conta da Orquestra da Vida, mas continuam amigos. Outros ficam cada vez mais pertos, mesmo estando a milhares de milhas de distância. Agradeço a todos vocês, que agüentaram o “velho Ed”, estiveram perto e tal. Agradeço por vocês existirem e por ter conhecido vocês. Agradeço aos amigos que conheci na França, brasileiros, gregos, africanos, franceses... Tantas diferentes nacionalidades, tantas amizades. Foi muito bom. Agradeço também aos amigos que ficaram no “porta-aviões” Brasília, que me apoiaram a distancia, durante a minha “missão”.
Aos amigos que irei conhecer fica a curiosidade por enquanto. Tenho pensado bastante sobre isso. Sei que Deus é maravilhoso e misericordioso. Anseio por conhecer àqueles que Ele escolheu para encontrar comigo no caminho da Vida.
Em todo o tempo ama o amigo, e na angústia nasce o irmão” Provérbios 17:17
Sei que é uma maneira simples de agradecê-los. Certamente, nem todos os que eu quero agradecer saberão da existência desse post. Mas mesmo assim, obrigado.
Edgard MacFraggin'

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A União dos Salvos


Unidos por meio de Cristo – “Mas agora, unidos com Cristo Jesus, vocês, que estavam longe de Deus, foram trazidos para perto dele pela morte de Cristo na cruz. Pois foi Cristo quem nos trouxe a paz, tornando os judeus e os não-judeus um só povo. Por meio do sacrifício do seu corpo, ele derrubou o muro de inimizade que separava os judeus dos não-judeus. Efésios 2: 13-14;
Antigamente, a promessa, a Aliança era somente para os judeus. Os estrangeiros que a quisessem, deveriam participar de todos os costumes judaicos (A mesma lei será para vocês e para os estrangeiros que moram com vocês. Esta é uma lei que valerá para sempre para os seus descendentes. Diante do Eterno a lei será a mesma tanto para vocês como para os estrangeiros. A mesma lei e o mesmo regulamento serão para vocês e para eles. Números 15:15 e 16). Mas a bíblia fala que Jesus Cristo veio morrer por todos nós, por todos os habitantes da Terra. Através da morte na cruz, toda separação, seja entra Deus e o homem ou entre judeus e não-judeus, foi quebrada! O corpo de Cristo é apenas um, formado pelas pessoas salvas em Jesus (sejam elas batistas, presbiterianas, assembleianas, espíritas, católicas... pois a religião não salva ninguém, o único capaz de salvar é Jesus Cristo). Efésios 4:4-6 diz: Há um só corpo, e um só Espírito, e uma só esperança, para a qual Deus chamou vocês. Há um só Senhor, uma só fé e um só batismo. E há somente um Deus e Pai de todos, que é o Senhor de todos, que age por meio de todos e está em todos.
Cristo fala que Ele é a Videira Verdadeira (João 15:1-8: Jesus disse: -Eu sou a videira verdadeira, e o meu Pai é o lavrador. odos os ramos que não dão uvas ele corta, embora eles estejam em mim. Mas os ramos que dão uvas ele poda a fim de que fiquem limpos e dêem mais uvas ainda. Vocês já estão limpos por meio dos ensinamentos que eu lhes tenho dado. Continuem unidos comigo, e eu continuarei unido com vocês. Pois, assim como o ramo só dá uvas quando está unido com a planta, assim também vocês só podem dar fruto se ficarem unidos comigo. Eu sou a videira, e vocês são os ramos. Quem está unido comigo e eu com ele, esse dá muito fruto porque sem mim vocês não podem fazer nada. Quem não ficar unido comigo será jogado fora e secará; será como os ramos secos que são juntados e jogados no fogo, onde são queimados. Se vocês ficarem unidos comigo, e as minhas palavras continuarem em vocês, vocês receberão tudo o que pedirem. E a natureza gloriosa do meu Pai se revela quando vocês produzem muitos frutos e assim mostram que são meus discípulos.”). Nós somos os galhos e Deus é o lavrador; na minha singela opinião, o Espírito Santo é a seiva que corre dentro da Videira, cuidando de todos nós, levando os nutrientes necessários e retirando as sujidades. A bíblia sempre nos trata como um: seja sendo um corpo, sendo uma videira ou um rebanho.
A pureza do Corpo – Vocês são filhos queridos de Deus e por isso devem ser como ele. Que a vida de vocês seja dominada pelo amor, assim como Cristo nos amou e deu a sua vida por nós, como uma oferta de perfume agradável e como um sacrifício que agrada a Deus! Vocês fazem parte do povo de Deus; portanto, qualquer tipo de imoralidade sexual, indecência ou cobiça não pode ser nem mesmo assunto de conversa entre vocês. Não usem palavras indecentes, nem digam coisas tolas ou sujas, pois isso não convém a vocês. Pelo contrário, digam palavras de gratidão a Deus. Fiquem certos disto: Jamais receberá uma parte no Reino de Cristo e de Deus qualquer pessoa que seja imoral, indecente ou cobiçosa (pois a cobiça é um tipo de idolatria).” Efésios 5:1-5
Como parte do Corpo de Cristo, devemos cuidar de nós mesmos no sentido da pureza. Cristo disse que aqueles que não forem como crianças não herdaram o Reino de Deus por conta da pureza! As crianças são puras e devemos ser assim também! A bíblia nos alerta com relação à imoralidade sexual, indecência e cobiça (essa é um tipo de idolatria, ver Efésios 5:5). Isso não deve fazer parte nem das nossas conversas!
Nesse mundo afundado na escuridão satânica devemos ser luz! Devemos fazer a diferença! No nosso falar, no nosso agir, no pensar... Cristo espera isso de nós!
Andando sempre na Luz – Não deixem que ninguém engane vocês com conversas tolas, pois é por causa dessas coisas que o castigo de Deus cairá sobre os que não obedecem a ele. Portanto, não tenham nada a ver com esse tipo de gente. ntigamente vocês mesmos viviam na escuridão; mas, agora que pertencem ao Senhor, vocês estão na luz. Por isso vivam como pessoas que pertencem à luz, pois a luz produz uma grande colheita de todo tipo de bondade, honestidade e verdade. Procurem descobrir quais são as coisas que agradam o Senhor. Não participem das coisas sem valor que os outros fazem, coisas que pertencem à escuridão. Pelo contrário, tragam todas essas coisas para a luz. Pois é vergonhoso até falar sobre o que essas pessoas fazem em segredo. E, quando qualquer coisa é trazida para a luz, então a sua verdadeira natureza é revelada. Porque o que é claramente revelado se torna luz. E é por isso que se diz: "Você que está dormindo, acorde! Levante-se da morte, e Cristo o iluminará." Portanto, prestem atenção na sua maneira de viver. Não vivam como os ignorantes, mas como os sábios. Os dias em que vivemos são maus; por isso aproveitem bem todas as oportunidades que vocês têm. Não ajam como pessoas sem juízo, mas procurem entender o que o Senhor quer que vocês façam. Não se embriaguem, pois a bebida levará vocês à desgraça; mas encham-se do Espírito de Deus. Animem uns aos outros com salmos, hinos e canções espirituais. Cantem, de todo o coração, hinos e salmos ao Senhor. Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo, agradeçam sempre todas as coisas a Deus, o Pai. Efésios 5:6-20
Os filhos Deus têm um discernimento dado pelo Pai: somos capazes de saber o que é certo e o que errado em várias situações das nossas vidas; O versículo 6 fala que não devemos nos perder em conversas tolas, que não levam a nada. Muitas das vezes, essas conversas podem ser até mesmo sobre assuntos ligados à Bíblia, a Deus, mas que não edificam e podem até mesmo abalar os mais fracos na Fé. Devemos nos basear sempre no que a Bíblia diz. O que ela não diz, um dia, face a face, perguntaremos ao nosso Pai.
O versículo 10 diz que “Devemos descobrir o que agrada o nosso Deus”; os versículos de 11 a 18 nos alertam sobre a vida que devemos ter aqui na Terra: não participando das coisas sem valor, coisas da escuridão que esse mundo faz; nesse ponto, cabe a nós observamos a sociedade: existem tantas ocasiões em que satanás e o seu maldito reino de trevas é reverenciado: carnaval, festas juninas, passeatas contrárias a palavra de Deus, Cosme e Damião... até mesmo a páscoa e o natal perderam o significado perante a sociedade! Muitos de nós esquecem da origem satânica de tudo, dos ídolos envolvidos, da consagração de festas, roupas e alimentos. A Bíblia diz que devemos trazer tudo para a Luz, onde todas as coisas mostram sua verdadeira natureza (Efésios 5:13). Quando olhamos as coisas com a visão do mundo, vemos que não há problema em nada, que o problema na verdade é não participar... mas quando olhamos sob o foco da Luz Divina, observamos as origens das coisas, como o diabo articula tudo... Deus nos dá discernimento sobre o que devemos ou não fazer.

Edgard 

MacFraggin'