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domingo, 26 de julho de 2015

Yeshua (Jesus) disse, de certa forma, que evangelismo não importa

Baseando-me nos "Doze Pontos de Berlim", documento do ICCJ (International Council for Christians and Jews), considero o Novo Testamento como literatura judaica do Primeiro Século. Assim, considere os trechos do Novo Testamento abaixo:

"Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras." Mateus 16:27

"Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda. Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; Pois tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era forasteiro, e recolhestes-me; estava nu, e vestistes-me; enfermo, e visitastes-me; preso, e viestes ver-me. Então perguntarão os justos: Senhor, quando te vimos faminto, e te demos de comer; ou com sede, e te demos de beber? Quando te vimos forasteiro, e te recolhemos; ou nu, e te vestimos? Quando te vimos enfermo, ou preso, e fomos visitar-te? O Rei responderá: Em verdade vos digo que quantas vezes o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes. Dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, destinado ao Diabo e seus anjos. Pois tive fome, e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; era forasteiro, e não me recolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo e preso, e não me visitastes. Também eles perguntarão: Senhor, quando te vimos faminto, com sede, forasteiro, nu, enfermo, ou preso, e não te servimos? Então lhes responderá: Em verdade vos digo que quantas vezes o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. Irão estes para o suplício eterno, porém os justos para a vida eterna." Mateus 25:31-46

"Porque o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o julgamento, para que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou. Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. Pois assim como o Pai tem vida em si mesmo, assim também deu ao Filho ter vida em si mesmos; e deu-lhe autoridade para julgar, porque é o Filho do homem. Não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo." João 5:22-29

                Esses textos do NT são muito bons e muito interessantes. Neles todos o próprio Yeshua diz como ele há fazer o julgamento das pessoas. E em nenhum momento ele diz algo do tipo "Aqueles que me aceitarem como senhor e salvador vão para o Céu e quem não me aceitar vai pro Inferno". Se há outros textos do NT que o dizem, pode até ser que sim, entretanto os outros textos não foram ditos por Yeshua. Mesmo no livro de Revelação, quando ele diz "Eis que estou a porta e bato..." não pode ser interpretado literalmente. Alguns dizem que "Yeshua está à porta do coração batendo...": obviamente isso não pode ser entendido de forma literal, pois se assim o fosse, imaginaríamos Yeshua batendo aonde no coração? Entre o átrio direito e a bifurcação das veias cavas? Ou ali perto da aorta? Fica claro que o texto é metafórico. Nós só chamamos alguém pra "ceiar/jantar em nossa casa" se é alguém que conhecemos e temos amizade. E se conhecemos, somos influenciados uns pelos outros e temos um estilo de vida parecido. Assim, se "Yeshua entrar e ceiar contigo" significa muito mais que teu estilo de vida será como o estilo de vida ensinado por ele. E qual estilo de vida ele nos ensinou? O de fazer boas obras.
                Em diversos pontos do relato de Yeshua ele se preocupa com dificuldades físicas das pessoas, e não com a "salvação espiritual" delas. Ele se preocupa com a multidão faminta de pão física e não em fazer um apelo evangelístico. Ele diz em Mateus 25 (o texto citado acima) sobre comer, beber, vestir, cuidar, etc, todas coisas físicas. Pode ser até que muitos dos "bodes malditos" a que ele se refere fossem excelente evangelistas: pregavam, pregavam e pregavam, mas quando alguém precisava de coisas até simples como comida, ele não o dava. Isso é muito sério. Podem citar quem quer que seja, não importa, Yeshua disse que julgará as obras de cada um.
                Como demonstrar amor por Deus? Só amando o próximo. É a única forma. Fazer caridade é forma mais profunda de servir a Deus. Os anjos podem cantar melhor e mais bonito do que ninguém. Mas tem uma coisa que eu nunca vi anjo fazer, e acho que nunca vou ver: nunca vi um anjo dar um abraço em um mendigo, ou comprar comida pra um mendigo, ou roupas, etc. O Eterno, bendito Seja, já nos comandou fazer isso. Se a gente não fizer, ninguém mais o fará. E se não o fizermos, seremos "malditos" diante de Yeshua.
                Pense nisso. Separe 5% do seu salário todo mês pra caridade, isso fará uma enorme diferença. O evangelismo, embora eu seja absolutamente contrário a ele, nunca deve vir antes da caridade. Os filhos do Eterno devem ser "vistos e não ouvidos". Os frutos de uma árvore não são escutados e sim observados. Mostre teus frutos pra todos os que precisarem diante de você.

Edgard MacFraggin'



domingo, 3 de novembro de 2013

Um chamado à Responsabilidade

 “Ama o próximo como a ti mesmo” Levítico 19:18.
Seis mil idiomas são falados ao redor do mundo hoje, mas apenas um deles é verdadeiramente universal: a linguagem das lágrimas” Rabino Jonathan Sacks
Vivemos em tempos difíceis. Vivemos em um mundo hedonista em grande parte, que valoriza o próprio indivíduo, a busca de satisfação pessoal mesmo em detrimento do bem-estar de outros. O Judaísmo vai de encontro a todo esse pensamento: é uma religião que praticamente não fala do “eu”. Fala do “Shemá Israel” e do “ama o próximo como a ti mesmo”. É sempre sobre um Outro ou sobre vários outros. É, assim, uma religião que exige uma Ética. Não apenas pregar, mas exercer ação. É a Ética da Responsabilidade.
Mas por que a pobreza é um problema? O rabino Jonathan Sacks afirma que a pobreza não dignifica a alma e nem a refina; ela faz apenas a pessoa se voltar para dentro de si, anestesiando sua sensibilidade, aniquilando o espirito e humilhando a própria alma. Os Sábios se recusam a romantizar a pobreza. Classificam-na como um mal implacável. Dizem que “numa casa a pobreza é pior do que 50 pragas”. Ainda, dizem que “a pobreza é uma forma de morte”. Vale lembrar-se de uma das rezas do Sidur que diz que “Os idólatras não louvam ao Eterno; nem os que descem à sepultura”. Uma pessoa pobre não pode servir a Hashem adequadamente. Os sábios afirmam que “se não há o que comer, não pode haver Torá”. Maimônides afirmava que era impossível direcionar a mente para coisas elevadas quando se tem fome, sede, dor ou falta de abrigo. A pobreza nos impede o correto relacionamento com o Eterno. Impede que desfrutemos dos prazeres lícitos que Ele fez para nós, para todos nós.
A Torá coloca claramente que todos nós que servimos a Hashem temos um dever social de cuidar do próximo. Devemos agir com responsabilidade. Segundo o rabino Jonathan Sacks, responsabilidade vem da junção de duas palavras: resposta e habilidade, i.e., ter habilidade em dar resposta de forma adequada aos problemas que existem no mundo. O Eterno, bendito seja, nos chama a ser Seus Sócios na Criação, afirmam os Sábios. Chama-nos a criar, a dar continuidade na Sua Obra. Nos chama também para retificar aquilo que foi quebrado. Recordo-me de um episódio da história de Moisés: o episódio em que ele quebra Tábuas da Lei. Estas haviam sido dadas pelo Eterno, já prontas. Agora, para ter as segundas Tábuas, Moisés teria que ele mesmo entalhá-las. Fica disso um princípio: “você quebrou, você conserta”. Nós quebramos o mundo inteiro, todos nós representados em Adão. Temos, portanto, o dever de curar a Terra, de consertar as fraturas, de juntar os fragmentos. A Cabalá Luriânica fala a respeito disso, dos fragmentos. Cremos que Yeshua foi o primeiro recipiente que se fragmentou: cada fragmento tem uma centelha de luz divina. E devemos juntar esses fragmentos, consertar essas fraturas, pois isto é o Corpo do Messias, o corpo do Adam Cadmon.
Existe um provérbio judaico que afirma que “as necessidades físicas do teu próximo são tuas necessidades espirituais”. Yeshua ratificou em Marcos 12:31 o que já havia aparecido em Levítico 19:18. Entretanto, compreender a dor de outra pessoa é praticamente impossível. Eu não posso sentir a fome de uma pessoa estando alimentado; ainda que tivesse fome, a minha poderia ser em nível menor que a de outra pessoa. O mesmo vale para ter sede, para estar nu, estar doente, etc. São coisas extremamente subjetivas, são coisas virtuais. Então, que fazer? Pensemos assim: sinta de forma real a dor virtual do teu próximo. Pode-se destrinchar “dor” em muitas coisas, entre elas fome, sede, doença, pobreza, nudez, tristeza, solidão, etc. Yeshua apresenta exatamente esses pontos em Mateus 25:35-40: “Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver. Então os justos lhe responderão, dizendo: senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondeu-lhes: em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” Isso nos mostra a profundidade da prática da fé judaica por Yeshua. Servir ao Eterno não implica apenas as rezas, ritos, etc. Tão certo também não é apenas fazer o bem aos outros. São as duas coisas, necessariamente. Como ratificado por Yeshua, “Shemá Israel e ama o próximo como a ti mesmo”. Isso é servir ao Eterno, bendito seja. As duas primeiras perguntas de Bereshit mostram isso claramente. “Homem, onde está você?” e “onde está teu irmão?” Isso mostra que nós além do dever de nos relacionar com D’us devemos cuidar de nossos irmãos. Caim perguntou “acaso sou eu guardador do meu irmão?” e a resposta para isso era “sim”. Somos responsáveis pelos nossos irmãos. O conceito de Simchá não pode ser entendido como algo solitário. É uma alegria que surge do compartilhar, do coletivo, de algo que existe justamente porque nós compartilhamos.  
Estava refletindo sobre a questão de Yom Kippur. Muitos de nós já participamos desse dia, fazendo um jejum completo de alimentos e líquidos por 25 horas. Espiritualmente falando, nos elevamos muito, é um dia de configuração espiritual única. Agora, fisicamente falando, é muito difícil. Ficar em pé, rezar por um dia inteiro, sem água, sem comida, sem nenhum prazer. E isso é apenas um dia. Os sábios falam que se alguém faz muitos jejuns, chegando a passar mal por isso, essa pessoa é duas vezes pecadoras. O Eterno nos deu prazeres lícitos, e estes devemos aproveitar. Nossos sábios ensinam que iremos responder no Mundo Vindouro por cada prazer lícito que deixamos de aproveitar. Agora, pensemos um pouco em tantas pessoas que passam pela experiência física do Yom Kippur praticamente todos os dias do ano! E elas não tem elevação espiritual alguma. Apenas sofrem. “Ama o próximo como a ti mesmo”: lembre-se do teu próprio sofrimento físico no último Yom Kippur quando alguém vier lhe pedir algum dinheiro para comprar comida.
O rab. Sacks afirma que “a vida é um chamado de D’us à responsabilidade”. Ainda, coloca que “nós aprendemos sobre D’us emulando-O mais do que O contemplando”. Vivemos em tempos em que conceitos espirituais profundos são substituídos por coisas frias e sem vida. Vivemos um tempo em que pessoas ditas religiosas delegam sua ação para o Governo, transformado a Ética que deveriam ter em Política, a obrigação moral em legislação fria e o envolvimento pessoal em órgãos públicos sem rosto (rab. Sacks). Lembro-me de uma vez que escutei um líder de determinado seguimento religioso afirmando que “nós [instituição religiosa] não temos o dever de fazer ação social; quem deve fazer isso é o governo”. Parecia que ele dava razão ao que Karl Marx disse sobre a religião: que ela é ópio do povo. Marx acreditava que a religião servia apenas para manter o Status Quo existente, dignificar a pobreza, justificar doenças e conter as massas. Ele acreditava que para o mundo melhorar a religião deveria simplesmente desaparecer. Não podia estar mais enganado. Ele, um neto de rabino, não compreendeu o que é o Judaísmo. Judaísmo é uma religião que surge não da aceitação do Status Quo, mas de uma revolta contra ele. Não aceita o conformismo. Abraão nosso pai vivia em meio à idolatria e ele se rebela contra isso trazendo a prática do monoteísmo à Terra de forma ininterrupta até nossos dias. Ele se levantou justamente contra os impérios politeístas egípcio e mesopotâmico – sendo que estes sim usavam a religião para glorificar os reis/faraós, oprimir o povo e conter as massas. O Judaísmo começa dando liberdade a um povo escravo, e não o escravizando.

O Pirkê Avot nos conta que certa vez um homem muito rico foi dar uma festa. Ele tinha 20 conjuntos belíssimos de talheres de prata e convidou outras 19 pessoas para jantar com ele. Estava tudo pronto: 20 lugares dispostos na mesa e os conjuntos de talheres em seus lugares. Os convidados foram chegando um a um e tomando seus lugares. O último convidado chegou, sentou-se a percebeu algo estranho: ele não tinha talheres. Foi falar então com o anfitrião da festa sobre isso. O anfitrião lhe disse que tinha talheres para todos e que se não havia talheres para ele apenas uma coisa poderia ter acontecido: algum dos convidados estava com dois conjuntos de talheres. Isso ilustra bem o que aconteceu com o nosso mundo. O Eterno criou recursos naturais para todos, o sol brilha para todos, o ar é de todos, os recursos aquáticos e terrestres também são de todos. Entretanto, nem todos têm o que o que comer ou que beber, por exemplo. O que se deduz disso: se alguns não têm, significa que outros têm mais do que deveriam, estão com as partes que são de outras pessoas. Existem muitas pessoas sofrendo de obesidade mórbida nos Estados Unidos, enquanto outras morrem de inanição na África. Onde está a justiça nisso? É nosso dever fazer essa justiça, dar àqueles que não têm o que o Eterno proveu a cada ser humano.

Certa vez perguntaram ao rabino Chayim de Brisk (1853 – 1918) quais eram os deveres de um rabino. Ele respondeu que era o de “aliviar a dor daqueles que estão sozinhos e abandonados, proteger a dignidade do pobre e salvar o oprimido das mãos do opressor”. E será que esse é um dever exclusivo de um rabino? Creio que não. O rabino fica de costas para a congregação durante o serviço ao Eterno, pois ele também tem que prestar o seu serviço ao Eterno. De modo semelhante, temos uma missão semelhante a do rabino quanto ao próximo, Yeshua mesmo nos ensinou isso. O rabino Chayim de Brisk era um homem que vivia endividado por ajudar os outros. Apesar disso, no inverno ele deixava as portas de sua madeireira aberta para que os pobres pudessem lá entrar e pegar lenha sem ter que passar pela humilhação de ter que pedir. Quando madeireiros não-judeus o questionavam sobre isso, por conta dos supostos prejuízos que isso causavam a eles, ele respondia que “estava economizando dinheiro para a saúde pública”. Caso não fizesse assim, iria acabar pegando uma pneumonia, visto que não teria coragem de acender sua própria lareira sabendo que outras pessoas não tinham como se manter aquecidas.  
Certa vez, o Rebe de Kamiker decidiu passar um dia inteiro recitando Salmos. O maguid de Tsidnov mandou que um mensageiro lhe chamasse. Ele disse ao mensageiro que iria mais tarde, pois ainda queria recitar mais Salmos. O mensageiro foi ao maguid e voltou ao Rebe dizendo que o maguid precisava dele com urgência. Quando o Rebe encontrou o maguid este lhe perguntou o motivo de tamanha demora, pois o maguid desejava que o Rebe saísse para coletar dinheiro para um homem pobre. Quando soube que o Rebe demorou por estar recitando Salmos lhe disse: “Salmos podem ser entoados por anjos, mas apenas seres humanos podem ajudar os pobres. A caridade é mais importante que do que recitar Salmos, pois os anjos não podem fazer caridade”.
Todas as sextas-feiras antes do sol nascer, o Rebe de Nemirov desaparecia. Não era possível encontrá-lo nas sinagogas ou em casas de oração. Sua casa ficava com as portas abertas, mas ele não era encontrado ali. Um homem de outra cidade ao saber disso perguntou aos discípulos do Rebe para onde ele ia. Eles responderam que certamente ele ia aos céus pleitear pela paz, sustento e saúde para a cidade. O forasteiro ficou incrédulo quanto a isso. Decidiu então desvendar o mistério: se escondeu na quinta-feira a noite e seguiu o Rebe sem que ele percebesse. O Rebe saiu de casa vestindo roupas comuns e carregava um machado; seguiu até a floresta, derrubou uma árvore e a dividiu em pedaços de lenha. Pegou a lenha e voltou para uma um parte afastada da cidade, numa ruazinha distante do centro. Bateu na porta de um casebre e uma senhora idosa, pobre e adoentada abriu. Ela lhe perguntou quem ele era e ele disse que estava vendendo lenha muito barata, quase de graça. A senhora disse que não tinha dinheiro. Ele disse que daria crédito a ela; ela respondeu que não teria como pagar posteriormente. Ele disse: “a senhora não confia em D’us? Ele fará que eu seja pago”. A senhora disse que não teria condições também de acender o fogo e ele o acendeu. Enquanto o acendia, ele recitava em voz quase inaudível as Bênçãos Matinais. Depois disso, ele voltou para a casa dele. O homem que o seguia se tornou então um discípulo dele. E quando escutava alguém dizer que nas sextas o Rebe ia aos céus, ele dizia “e talvez até além”.
Quando do episodio de Mordechai e Ester, Mordechai lhe disse que se ela se calasse perante aquela situação, o Eterno levantaria outro homem para trazer livramento aos judeus, mas que talvez o motivo dela ter chegado ao reinado tenha sido exatamente esse (Ester 4:14). Se não fizermos o que devemos fazer, talvez outros o façam, mas nunca teremos cumprido a que o Eterno nos deu a fazer aqui.
Mas então, como fazer tsedaká? Maimônides ensinava que existem oito formas diferentes de fazer, com diferentes graus de elevação. Falarei da mais elevada para a menos elevada:
1)      Tirando um necessitado da situação de pobreza: dando-lhe um presente ou empréstimo, acolhendo-o como sócio, ajudando-o a conseguir um emprego. Retirando dele a situação de humilhação por necessitar de outros.
2)      Doar secretamente: quem doa não sabe para quem vai, quem recebe não sabe de onde veio.
3)      Doar anonimamente: o doador sabe para quem vai, mas quem recebe não sabe de quem veio;
4)      Beneficiado sabe de onde veio: o doador não sabe para quem vai. Muitos sábios amarravam moedas nos seus xales e as jogavam para trás, de forma que os pobres podiam pegá-las sem ter que passar pela humilhação de pedir.
5)      Ajudar um necessitado antes que ele peça;
6)      Ajudar um necessitado depois que ele pede;
7)      Dar menos do que o pobre necessita, mas de forma amável;
8)      O mais baixo grau é o daquele que doa de má vontade.
O povo judeu é um povo interessante. O midrash pergunta “quem é que pode entender esse povo? Quando lhe pedem uma contribuição para fazer um bezerro de ouro, eles dão. Quando lhes pedem uma contribuição para a construção de um santuário, eles dão”. Tsedakah se aloja muito perto da essência do que é ser um judeu. Os rabinos afirmam que se “uma pessoa é cruel e sem compaixão, há razão suficiente para desconfiar de sua ancestralidade”.
Vale ressaltar que ajudar um pobre não significa adotar a pobreza para si mesmo. Nenhum carente foi ajudado por saber que um santo tomou o seu partido. Foi ajudado porque teve a chance de não ser pobre. Existe também um princípio que mesmo uma pessoa que recebe tsedakah deve dar tsedakah. Observa-se isso claramente em uma das partes do filme “Ushpizin”, quando Moshe Belanga, depois de receber uma tsedakah que muito precisava, separa uma parte e dá de tsedakah para o Ben Baruch.
Mas quem é esse nosso próximo? O rabino Meir Melamed comenta que Jacó chama a uns pastores desconhecidos, sem distinção de nacionalidade de “irmãos”. Os sábios no período da Mishná ensinaram a prática do “Darkê Shalom” (Caminhos de Paz). Eles diziam que “em benefício da paz, deve ser permitido aos gentios pobres apanhar as espigas deixadas no campo depois da ceifa, recolher os feixes esquecidos e colher dos cantos do campo; (...) devemos sustentar os gentios pobres como sustentamos os do nosso povo, devemos visitar os gentios doentes como visitamos os nossos e devemos sepultar os deles como sepultamos os nossos”. Vale lembrar que o período da Mishná os judeus estavam na Diáspora. Eram minorias que tinham conhecido a assimilação ou a revolta armada, e nenhum desses caminhos havia dado bons resultados. Assim, propõem um novo caminho, os Caminhos de Paz. Esse caminho não significa ter paz, mas criar ações que possam levar a uma boa convivência. Dificilmente teremos paz no meio de idólatras. Mas devemos fazer o bem, compreendendo que cada ser humano possui uma fagulha divina dentro de si.
O rabi Eleazar costumava dar uma moeda a um pobre antes de recitar suas preces; ensinava que está escrito “através da caridade, eu verei Tua face” (Talmud da Babilônia, Baba Batra 10a). Lembro-me de grupos que faziam evangelismo nas madrugadas de determina cidade. Durante as madrugadas, aquilo que é considerado como escória da sociedade está nas ruas. Prostitutas, travestis, dependentes químicos, mendigos, etc. Cansei de ver cenas de pessoas que vinham pedir dinheiro para voltar para casa ou para comprar comida. A resposta padrão era “eu não tenho dinheiro, mas veja, pegue um folhetinho do JC”. Aparentemente o sofrimento alheio não tinha nenhum problema (principalmente porque quem podia ajudar não estava sofrendo). Parecia ainda que este mundo físico aqui não importa para nada. A pessoa que evangelizava a outra estava fazendo uma “grande bondade”: estava livrando a alma do outro do inferno (como se humanos pudessem determinar quem está salvo e quem está condenado). Ou seja, se a pessoa recusava a “salvação” contida naquele folheto do JC era culpa dela ainda sofrer. Ela estava rejeitando um futuro “bom”. E o pior, depois que acabava o evangelismo e de falar que não tinham dinheiro, o grupo seguia para uma lanchonete pra lanchar. De graça é que o lanche não era. E eu de tudo isso porque durante algum tempo participei desse grupo. Foi bom, mas no sentido de perceber como a mensagem pura e bela da Torá está deturpada. Foi bom no sentido de me fazer olhar a Torá como algo precioso e profundo. Aprendi a lição do que não fazer.
Se alguém lhe pede comida, dê. Se alguém lhe pede água, dê. Quem somos nós para julgar o interior do outro? Que o Eterno nos abençoe e nos ensine a amar e cuidar desse próximo, não como queremos, mas como Ele quer que façamos.
Edgard MacFraggin'

Referências
“Para curar um mundo fraturado”, Rabino Jonathan Sacks, Editora Sêfer.
“A Ética do Sinai”, Irvin Bunim, Editora Sêfer.
“Torá: a Lei de Moisés – com tradução e comentários pelo Rabino Meir Matzliah Melamed”, 3ª edição, Congregação Religiosa Israelita Beth-el.

sábado, 1 de junho de 2013

Enterrando talentos como se excrementos fossem

"E um lugar, terás para ti, fora do acampamento, e ali saíras fora; e uma estaca, terás para ti, entre os objetos de teu uso, e quando te abaixares lá fora, com ela cavarás, e volvendo-te cobrirás o que defecaste;" Devarim ["Deuteronômio"] XXIII. 13 e 14

"Mas o que tinha recebido um talento saiu, cavou um buraco no chão e escondeu o dinheiro do senhor." Mattityahu ["Mateus"] XXV. 18

Quando o povo saía para guerrear, deveria levar consigo uma pá, para enterrar o que defecassem e não contaminar o acampamento. E isso porque o Eterno estava ali com eles, presente nas batalhas. Ainda mais, esse é destinado que esperamos para as próprias fezes, ninguém gosta de ficar vendo ou cheirando um monte de esterco. Muita gente não gosta nem de ir em fazendas pelo cheiro das fezes e urina dos animais! E o interessante é que mesmo alguns animais enterram suas próprias fezes, seguindo suas próprias Instruções naturalmente!


Carl Barks, você foi inspirador para muitas
gerações!
Mas uma coisa que todos gostam de ver são pessoas talentosas usando seus talentos. Como é bom escutar a voz ou a gaita tocada por Bob Dylan ou Humberto Gessinger! Ou ver os maravilhosos quadrinhos de dez páginas escritos e desenhados pelo Mestre Carl Barks, de saudosa memória? Poxa, aquelas histórias de dez páginas pareciam que tinham 50 de tão profundas! Ou mesmo a criatividade de Shigeru Miyamoto, o criador da série Super Mario Bros.! Poxa vida, são coisas muito boas, talentos que praticamente ninguém mais possui. E será que esses talentos vem de nós mesmos? Obviamente não. São coisas tão boas que podemos "ver" a assinatura do Criador, assim como percebemos isso no canto dos pássaros no final da tarde. E imagina se esses gênios citados tivessem recusado e não utilizado seus talentos? Poxa, seria horrível, pelo menos para mim!

E o grande rabino Yeshua fala nessa parábola justamente disso. Sobre talentos usados e enterrados, sendo este algo totalmente fora de lógica. O rapaz da parábola recebeu "apenas um" talento e o enterra! Mas o que deve ser enterrado não são os talentos, e sim as excretas. Talvez possa-se inferir o motivo pelo qual aquele senhor ficou tão irado. O rapaz considerou o talento recebido como excremento, numa análise mais profunda! E é claro que sua punição foi à altura do seu erro.

Cada um de nós possui talentos. Alguns mais, outros menos. Mas creio que o que mais limita as pessoas é a vergonha de usar o talento ou não. Eu conheço pessoas que tocam instrumentos maravilhosamente. Outros cozinham verdadeiros manjares! Outros desenham e outros fazem esculturas. Outros têm um talento incrível de ser pacientes e lúdicos, de ajudar os outros, etc. E assim vai. Utilizem esses talentos! Temos apenas essa vida para isso. Temos apenas essa vida para, através dessas ferramentas chamadas como talentos, mudar a vida do próximo, para amá-lo como a nós mesmos. Para sarar essa terra tão doente. Para trazer nem que seja um "simples" sorriso e tirar o foco do sofrimento de uma criança. Somos todos capazes!

Laila tov,
Edgard MacFraggin'

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Yeshua: o deserto pelo qual chegamos ao Eterno

A parashah do último shabat foi a Bamidbar ["no deserto"]. Foi no deserto que o Eterno se manifestou muito ao povo. Foi ali que a Torah foi outorgada ao povo. Coisas maravilhosas aconteceram ali. Entretanto, deserto é lugar de dificuldade. É lugar de alimento escasso, de escorpiões e serpentes, de extremo calor de dia e extremo frio a noite, todo dia essa mudança brusca na temperatura. E o deserto também não era o plano final do Eterno, bendito Seja, para o povo. O plano final estava na terra de Canaã, na Terra Prometida. O deserto era o caminho para se chegar até lá. E apesar de todo o sofrimento, o Eterno mandava o maná para alimentação, da rocha saía água, tinha uma nuvem durante o dia para o calor, uma coluna de fogo durante a noite para o frio. Aquela jornada não foi como a qualquer outra que tenha ocorrido na História por um deserto: D'us protegeu ao povo durante os 40 anos que ali passaram, dando-lhes sustento. 

E há muita semelhança nessa parashah com as palavras de Yeshua, em relação ao que os talmidim [discípulos] dele deveriam passar. Em Mattityahu ["Mateus"] 16:24, Yeshua diz que quem quer seguí-lo, deve tomar sua estaca de execução e ir. Para quê ter uma estaca de execução se não for pra morrer? Não falo disso para todos os casos, pelo menos não literalmente. Mas ele disse que sofreríamos por amor a ele, que seríamos caluniados, injuriados, etc. São esses os sofrimentos desse deserto. É uma caminhada difícil, num caminho estreito (Mattityahu ["Mateus"] 7:13-14). Entretanto, "coincidentemente", ele disse também que é o "Pão da vida", fazendo uma ponte justamente com o maná que caia no deserto (Yochanan ["João"] 6:48-51). Disse também que aquele que beber de sua água nunca mais terá sede e além disso será uma fonte que jorra água - como a rocha que jorrava água no deserto! - (Yochanan ["João"] 4:13-14). Quanto às dificuldades do deserto quanto a sua própria fauna, Yeshua disse que seriamos protegidos de "cobras e escorpiões" (Lucas 10:19). E também ele disse que é caminho para se chegar ao Pai (Yochanan ["João"] 14:6). Um caminho que leva a um objetivo. 


Será que era a intenção de Yeshua que os seus talmidim se focassem eternamente nele? Veja bem. Imaginem uma viagem programada para um lugar excelente. Chegando o dia, todos vão felizes para o aeroporto e tomam o voo. E aí quando chegam no destino, vão passar todo o período ainda dentro do avião sem aproveitar o destino? Claro que não! E Yeshua disse claramente que é o "caminho" e não o destino final! O destino final é o Eterno, o único D'us, o único digno de ser adorado e ninguém mais! Ele é UM, e sua unidade é indivisível. Ele é um, e não dois nem três. Foi sobre isso que Yeshua anunciou em todo o seu ministério. Que no deserto das nossas dores e das dificuldades, vemos a mão de D'us estendida, nos outorgando a sua Torah preciosa, o maná que nos sustenta, água, proteção contra o frio e contra o calor, enfim, tudo o que precisamos para trilhar esse Caminho estreito, esse precioso deserto a quem eu chamo, nesse contexto, de Yeshua. 

Shalom Aleikhem, 

Edgard MacFraggin'

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Se a evolução for a Verdade, Noé não pode ter existido!


                Muitos conhecem a história de Noé. O relato bíblico diz que D’us mandou Noé levar “(...) para dentro da barca um macho e uma fêmea de todas as espécies de aves, de todas as espécies de animais e de todas as espécies de seres que se arrastam pelo chão, a fim de conservá-los vivos” (Genesis 6:19). Também disse: “Leve junto com você sete casais de cada espécie de animal puro e um casal de cada espécie de animal impuro. Leve também sete casais de cada espécie de ave para que se conservem as espécies que existem na terra. Pois daqui a sete dias eu vou fazer chover durante quarenta dias e quarenta noites. Assim vou acabar com todos os seres vivos que criei” (Genesis 7:2-4) [ênfase do autor].
                Uma coisa que eu realmente não consigo compreender é a existência de evolucionistas cristãos. Vou argumentar em cima desse texto o meu pensamento. Dentro do pensamento de um “evolucionismo teísta”, D’us criou o ser primordial unicelular, criou as “regras” de como a genética em si (questões como mutação, deleção, inserção, etc) iria funcionar e deixou “a coisa acontecer”. Dentro dessa linha, por que então Ele se preocupou em preservar a genética, em preservar as espécies existentes? Não tem lógica! Ele poderia simplesmente fazer tudo evoluir novamente. Teria realmente muita água, muita matéria orgânica disponível para isso. Mas D’us se preocupou em preservar a espécie. Um forte indício de que Ele criou todas as coisas, e que Ele, naquele momento, não iria destruir a Criação.
                Um indício ainda maior, é o final do versículo 4: “Assim vou acabar com todos os seres vivos que criei”. D’us disse que ia acabar com os seres vivos que Ele “criou” e não com os seres vivos que Ele “deixou evoluir” ou algo assim. Se evolução ocorreu, então D’us é um mentiroso, pois Ele afirmou que criou os seres vivos. E se D’us não disse isso realmente, a bíblia então contém uma mentira. E se ela contém uma mentira, não há motivos para acreditar em nada dela.
                Ainda, se Noé não existiu, Jesus é um mentiroso! Jesus disse, em Mateus 24:37-39 o seguinte:
A vinda do Filho do Homem será como aquilo que aconteceu no tempo de Noé. Pois, antes do dilúvio, o povo comia e bebia, e os homens e as mulheres casavam, até o dia em que Noé entrou na barca. Porém não sabiam o que estava acontecendo, até que veio o dilúvio e levou todos. Assim também será a vinda do Filho do Homem.
Jesus afirmou a existência de Noé. Se a evolução ocorreu, não há nenhuma lógica para Noé ter existido. Se Noé não existiu, Jesus mentiu. E se Ele mentiu, ainda mais quando ele falava do retorno dEle para nossa salvação (Mateus 24), por que devemos crer que seremos salvos de qualquer coisa? Se Jesus mentiu, nossa vida em servi-Lo é vã. Ainda, se evolução ocorreu, significa que a afirmação de D’us em Genesis 7:4 é uma mentira.
                Cristãos evolucionistas, por favor, repensem esse posicionamento científico! Ou então peguem suas bíblias e rasguem Genesis capítulos 1-9, Mateus 19:4, Mateus 24:37-39, Marcos 10:6,  João 1:1-4, Romanos 5:12, 2a Timóteo 1:9, Hebreus 11:1-7. Rasguem logo a Bíblia toda! Melhor, parem de afirmar que são cristãos, pois o que vocês estão fazendo é um desfavor ao Evangelho.
                Que o conhecimento de Cristo, o Verbo através do qual todas as coisas foram criadas (João 1:3) ilumine nossas mentes, e que a revelação venha sobre nós.

Edgard MacFraggin'

sexta-feira, 29 de julho de 2011

2050: será que chegaremos lá??


Essas férias de julho foram bastante proveitosas academicamente falando. Não pude ir visitar meus familiares e nem meus amigos, pois fiquei fazendo uma disciplina condensada. Foram excelentes aulas sobre a temática do aquecimento global.
Os principais problemas do aquecimento global são esses:
o Os gases emitidos têm um poder cumulativo na atmosfera;
o O CO2 é o único deles que é reabsorvido, em parte, pelas plantas, os outros não o são;
o Ainda sobre o CO2, ele é o gás mais “bonzinho” com relação ao potencial de aquecimento. Outros gases, como o CH4 e o N2O têm potencial de aquecimento de 25x e 300x maior que o do CO2; o CH4 é reabsorvido em parte por microrganismos metanotróficos, mas isso não chega a ser representativo;
o Os processos humanos passaram a emitir outros gases, como o SF6; este possui um potencial de aquecimento 22.200x maior que o CO2; assim, o efeito de 1 kg de SF6 na atmosfera (em relação ao aquecimento global) equivale a uma quantidade de 2,2 toneladas de CO2 na atmosfera!
o A humanidade não vai parar de emitir Gases de Efeito Estufa (GEE);
o O Protocolo de Kyoto AINDA está em discussão (e ele começou em 1990!!);
o Países como o Brasil, China, Coréia, México e Índia emitem mais GEE atualmente que os outros países desenvolvidos; e não têm nenhuma meta de diminuir emissões de GEE (pelo Protocolo de Kyoto);
o Cientistas acreditam se as coisas continuarem como está, em 2050 a temperatura média da Terra terá aumentado cerca de 2 oC, e isso é mais do que suficiente para causar muitos problemas relacionados com os oceanos (lembrando que os líquidos se expandem em volume quando aquecidos!) e também problemas climáticos vão afetar a produção de alimentos;
o Tendo problemas relacionados à produção de alimentos, crises políticas e econômicas surgirão, muito provavelmente culminando em guerras, fome, pestes, além de outras catástrofes ambientais.
o Estratégias para se controlar e minimizar todos esses problemas estão sendo feitas e eu penso, particularmente, que elas vão funcionar. O único problema é que não dará tempo. Já se passaram 21 anos do Protocolo de Kyoto e ele ainda é discutido!!
Para os ateus: não fiquem tristes se a nossa espécie for extinta. Vocês defendem que espécies surgem e desaparecem, e, segundo vós, somos apenas outra espécie qualquer. Assim, penso que os ateus não deveriam lutar contra as catástrofes naturais, pois segundo o vosso raciocínio, isso será bom para a espécie, fará uma seleção natural e uma boa genética será preservada. E se formos extintos, beleza, mais uma espécie qualquer que sumiu desse planeta.
Para os cristãos: se alegrem, meus irmãos! Nós somos, cientificamente falando, a última geração!! Veremos o Nosso Rei voltar em Grande Glória!! A bíblia não diz quando Jesus vai voltar, mas, cientificamente falando, será provavelmente antes de 2050. Jesus disse no capítulo 24 de Mateus, nos versículos de 6 a 14:
Não tenham medo quando ouvirem o barulho de batalhas ou notícias de guerras. Tudo isso vai acontecer, mas ainda não será o fim. Uma nação vai guerrear contra outra, e um país atacará outro. Em vários lugares haverá falta de alimentos e tremores de terra. Essas coisas serão como as primeiras dores de parto. —Depois vocês serão presos e entregues para serem maltratados e vocês serão mortos. Todos os odiarão por serem meus seguidores. Nessa época muitos vão abandonar a sua fé e vão trair e odiar uns aos outros. Então muitos falsos profetas aparecerão e enganarão muita gente. A maldade vai se espalhar tanto, que o amor de muitos esfriará; mas quem ficar firme até o fim será salvo. E a boa notícia sobre o Reino será anunciada no mundo inteiro como testemunho para toda a humanidade. Então virá o fim.
Assim, os salvos vão passar por muitos problemas e seremos perseguidos também. Mas sabemos que não devemos nos render, devemos continuar a anunciar a boa mensagem da Salvação, a mensagem da Cruz de Cristo! O fim está próximo, cientificamente falando. Toda a história atual prepara o cenário descrito na bíblia. Todas essas crises farão que seja necessário que haja um Governo Mundial, uma única moeda, uma única religião. E quem será o rei de tudo isso? A bíblia disse também: será o Anticristo!
Para os indecisos: hoje é o dia de tomar uma decisão. Os dias são realmente maus. Aqueles que não servem à Deus podem até não saber, mas eles necessariamente servem ao Inimigo de Deus. Não existe meio termo entre o Bem e o Mal. Não existe meio termo entre Deus e o Diabo. Não existe o “isso é relativo... é uma questão de opinião!”. Como que simples pescadores de 2000 anos atrás poderiam descrever tão precisamente o quadro mundial atual se não fosse por uma intervenção divina na vida deles?? Não tem nenhuma lógica!
Caso você queira aceitar a Jesus como salvador, ore assim: “Senhor Jesus, reconheço que sou pecador. Reconheço que o Senhor morreu na Cruz por meus pecados e que ressuscitou. Te aceito como o meu Salvador. Guie os meus caminhos, mostre-me a Tua vontade, me ajude a caminhar”. Procure ler a bíblia, e também uma igreja que prega o que está escrito na bíblia.
Que o Senhor Jesus volte logo para nos levar para junto dEle! E que toda a Criação seja restaurada pelo Supremo Criador!
Edgard MacFraggin'

domingo, 10 de julho de 2011

O Papa se casou e negou Jesus!!

Semana passada recebi uma edição do Jornal “Kairós” (jornal mensal da renavação Carismática Católica – Diocese de Piracicaba. Ano 2, número 21, Julho de 2011). Um jornal muito interessante. Há uma matéria no final dele sobre o Arrebatamento – um tema extremamente atual e interessante, em minha opinião. Na página 6 desse jornal há a matéria “Dogmas da Igreja Católica – Dogmas sobre o Papa e a Igreja”. Infelizmente, percebi alguns pontos não-bíblicos nesse texto. Antes de continuar, quero deixar bem claro que a opinião expressa nesse texto é completamente minha e não é pessoal contra a Igreja Católica ou quem escreveu esse texto – eu nem o(a) conheço. E que não necessariamente expressa a opinião da minha denominação e dos meus pastores. E não venham me falar que estou criticando gratuitamente o catolicismo porque sou protestante: podem ver nos arquivos do blog que eu já critiquei – e muito – o protestantismo.
Bom, vou transcrever uns trechos da matéria (em amarelo). Quando dada alguma ênfase, esta foi dada por minha pessoa.
“Cristo constituiu o apóstolo São Pedro como PRIMEIRO e entre os apóstolos e como cabeça visível de toda a Igreja.”

Em Mateus 20:20-27, Jesus nos fala marcantemente sobre quem é o maior entre nós, a Igreja: “Então a mãe dos filhos de Zebedeu chegou com os seus filhos perto de Jesus, curvou-se e pediu a ele um favor. —O que é que você quer? —perguntou Jesus. Ela respondeu: —Prometa que, quando o senhor se tornar Rei, estes meus dois filhos sentarão à sua direita e à sua esquerda. Jesus disse aos dois filhos dela: —Vocês não sabem o que estão pedindo. Por acaso vocês podem beber o cálice que eu vou beber? —Podemos! —responderam eles. Então Jesus disse: —De fato, vocês beberão o cálice que eu vou beber, mas eu não tenho o direito de escolher quem vai sentar à minha direita e à minha esquerda. Pois foi o meu Pai quem preparou esses lugares e ele os dará a quem quiser. Quando os outros dez discípulos ouviram isso, ficaram zangados com os dois irmãos. Então Jesus chamou todos para perto de si e disse: —Como vocês sabem, os governadores dos povos pagãos têm autoridade sobre eles, e os poderosos mandam neles. Mas entre vocês não pode ser assim. Pelo contrário, quem quiser ser importante, que sirva os outros, e quem quiser ser o primeiro, que seja o escravo de vocês.” Logo, Pedro não estava acima dos outros apóstolos. Todos foram igualmente importantes para o Reino de Deus. Em comparação, o apóstolo Paulo escreveu muito mais que Pedro e provavelmente viajou bem mais que ele.
“O Romano Pontífice é o sucessor do bem-aventurado Pedro e tem o primado sobre todo o rebanho. O Papa possui o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda igreja, não somente em coisas de fé e costumes, mas também na disciplina e governo da Igreja. (...) O Papa é INFALÍVEL sempre que se pronuncia ex-cátedra. (...) Sujeito da INFALIBILIDADE papal é todo Papa legítimo, em sua qualidade de SUCESSOR DE PEDRO e não outras pessoas ou organismos. (...) O objeto da INFALIBILIDADE são as verdades da fé e costumes (...). A razão da INFALIBILIDADE é a assistência sobrenatural do Espírito Santo, que preserva o SUPREMO MESTRE da Igreja de TODO O ERRO.”

Bom, segundo Romanos 3:23, todos nós pecamos e estamos afastados de Deus. Para isso Jesus Cristo veio à Terra, para restabelecer nossa comunhão com Deus através da Cruz. Logo, o Papa precisa tanto do perdão de Deus e da Salvação como eu e você. E Pedro também precisava. Quando é colocado que o Papa é infalível, me recordo de Pedro quando negou Jesus: Jesus já havia feito a famosa afirmação a respeito dele. Mesmo assim, ele FALHOU muito ao negar Jesus. Então, o “primeiro Papa” não era infalível. E nenhum outro também o é, pois a Bíblia não afirma tal coisa. E agora essa de “Supremo Mestre” da Igreja? Nossa! Que eu saiba, apenas Jesus é o Supremo Mestre. Esse é um título muito forte para ser dado a um falho pecador humano. A não ser que o Papa seja um Mestre Sith nas horas vagas (poxa, o Bento XVI bem que se parece com um [foi só uma piadinha, não podem apelar]!!). E já que o Papa é o sucessor de Pedro, ele deveria também se casar!! Pedro era casado, ele tinha uma sogra. O relato disso pode ser visto no livro de Mateus, no capítulo 8, versos 14 e 15: “Jesus foi à casa de Pedro e viu a sogra dele de cama, com febre. Jesus tocou na mão dela, e a febre saiu dela. Então ela se levantou e começou a cuidar dele.” Assim, o “primeiro Papa” era casado. Pela tradição da Igreja Católica (visto que na Igreja Protestante os pastores podem se casar) Pedro foi extremamente errado e pecador. Nada infalível. Humano, errado, irascível como eu e você. Necessitava da mesma quatidade do perdão de Cristo que o João Paulo Segundo, o Bento XVI, Hittler, Stalin, George W. Bush, Madre Teresa de Calcutá ou seu vizinho chato. Mas que foi muito usado por Jesus, visto que reconheceu que não era infalível, que precisava de Jesus e em nome dEle pregava o evangelho.

Que a Paz de Cristo, o Supremo Mestre, seja com todo o Seu Povo,

Edgard MacFraggin'

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Credes no 14C?

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. Hebreus 11:1
O 14C (ou carbono 14) é um método de estimativa da idade de diferentes materiais de origem biológica. Tem sido usado de maneira ampla. Através delas, muitos afirmam que a idade da Terra é de não sei quantos bilhões de anos; que a vida surgiu na Terra a milhões de anos atrás, etc. E isso coloca em xeque o relato bíblico da criação, visto que acredita-se que, pela bíblia, a vida na Terra deva ter cerca de 10.000 anos, aproximadamente.
O mais interessante é sobre como o 14C é formado na atmosfera. Muita gente que fica por aí falando da idade de várias coisas antigas não tem nem idéia de como esse isótopo radioativo é formado. Bom, vou explicar de maneiro sucinta aqui.
Na atmosfera terrestre, o gás mais abundante é o N2 (gás nitrogênio - cerca de 79% dos gases atmosféricos). Este é formado por dois átomos de nitrogênio. O isótopo estável de nitrogênio mais abundante que existe é o de massa 14, cerca de 99,634% deles, sendo que o outro, de massa 15, tem abundância de 0,366%.
Devemos agora relembrar que a quantidade de prótons de um átomo é o que determina de qual elemento químico é aquele átomo. Um próton é uma partícula atômica de massa 1 e carga positiva. Outra partícula importante no núcleo dos átomos são os nêutrons. Eles tem massa muito próxima à do próton, mas têm carga neutra.


Raios cósmicos são energia que se propaga pelo espaço, vinda de estrelas. Trocando em miúdos, um raio cósmico nada mais é do que um nêutron viajando pelo espaço. Quando um desses raios cósmicos chega ao nosso planeta, ele encontra uma grande quantidade do gás nitrogênio (N2). Ele atinge o núcleo desse átomo e faz com que cada átomo atingido fique por um momento muito pequeno com massa igual a 15 (considerando que ele atingiu o isótopo de nitrogênio de massa 14 – que é o mais abundante). Nisso, o átomo se torna instável e perde um próton para se estabilizar. Perdendo um próton, ele volta a ter uma massa de valor 14 mas muda de elemento, tornando-se o querido 14C, que é radioativo.
Um elemento radioativo vai diminuindo sua atividade liberando energia. Essa medida é calculada em meias-vidas. Meia-vida é tempo que um elemento radioativo demora para diminuir em metade a sua atividade radioativa. Cada elemento tem a sua própria característica, podendo ser meias-vidas de dias, meses, anos, ou até mesmo minutos e segundos. A meia-vida do 14C é de 5.730 anos. Logo, cada vez que esse tempo passa, cai pela metade a atividade radioativa do isótopo. Conhecendo a concentração natural de 14C no ambiente, é possível considerar que a quantidade de 14C no indivíduo em questão era igual quando ele morreu. Assim, mede-se a quantidade de atividade de 14C que ele tem agora e estima-se quantas meias-vidas se passaram, estimando assim a sua idade.
Ainda é importante ressaltar que a técnica de medição da idade pelo 14C tem acurácia máxima de medição de cerca de 60.000 anos de idade. Mais abaixo, deixei uns links de calculadoras de 14C, tentem colocar um valor acima de 60.000 anos: não vai dar certo. Logo, quando ouvirem alguém por aí falando que tal espécie foi datada pelo 14C e descobriu-se que ela vivia a não sei quantos milhões de anos atrás, pode começar a gargalhar bastante, com muita vontade, porque tal informação só pode ser uma piada muito engraçada!!
E agora vem a questão de fé! Como é que se sabe se a quantidade de raios cósmicos que chegam a Terra são constantes em toda a história de vida no planeta? Sabe como o meio científico sabe essa informação? Bom, eles não sabem. Eles consideram que é constante. Logo, eles têm fé de que é constante! E que eu saiba, fé não é ciência, e sim religião.
E já que eles consideram isso, me deram a liberdade de refletir sobre esse assunto. Sabe-se que o universo está em expansão. Embora a concentração de energia no universo seja constante, por conta da expansão, essa energia vai se “diluindo”. A título de comparação, é como se toda a energia do universo fosse uma lâmpada. Com ela, eu consigo iluminar muito bem o meu quarto. Mas a mesma lâmpada não vai iluminar com a mesma eficiência um salão de festas, visto que este é bem maior do que o meu quarto.
Assim, é mais lógico pensar que a quantidade de raios cósmicos que chegam a Terra era maior no passado do que a que chega hoje. Portanto, a quantidade de 14C formado no passado era maior do que a que é formada hoje. Logo, as espécies do passado são enriquecidas em 14C se comparada às espécies mais recentes.
Esses dois sites tem calculadoras de 14C - <http://101science.com/Carbon14.htm> e <http://dwb4.unl.edu/Chem/CHEM869Z/CHEM869ZLinks/www.all.mq.edu.au/online/edu/egypt/carbdate.htm> e procurando no Google é possível encontrar ainda outras. Eu testei caso uma seja uma amostra de 60.000 anos – a atividade de 14C indica que há cerca 0,7% do elemento. Nos casos de 10.000 anos, a atividade mostrou que há na amostra teórica 29.829% de 14C. Percebam a enorme diferença de idade causada apenas por uma amostra estar mais enriquecida em 14C do que a outra! Se no passado havia mais 14C do que atualmente, significa que toda a vida na Terra é muito mais recente do que se pensa. Logo, o relato bíblico tem mais validade quanto à idade da vida do que o relato científico.
Os ateus insistem em se apoiar numa ciência baseada na fé deles. Eles têm fé que Deus não existem (me provem, cientificamente, isso!), tem fé que o 14C é um método excelente de medição da idade de materiais biológicos, têm fé num monte de baboseira! E propagam a fé deles como se fossem verdades científicas mais do que testadas e comprovadas!
O meu mestre, Jesus Cristo, falou sobre isótopos também. Mais especificamente, sobre os isótopos 32S, 33S, 34S, 36S e mais uns outros que são instáveis. Falou também que esses isótopos vão estar num lugar de altíssima geração de calor! Ah, esses isótopos são do enxofre. Você pode ver o Jesus disse sobre os isótopos de enxofre nesse link ao lado <http://www.bibliaonline.com.br/acf/ap/21/8+>. Creio que todos os que preferem dar glórias à um isótopo de carbono do que a dar a Deus, vão gostar bastante do estágio obrigatório no laboratório de química reservado para aqueles que odeiam Deus (é no laboratório do dr. Capeta [PhD em mentira, com concentração em tentar destruir a Criação Divina])!
Que a graça de Cristo esteja conosco, e que Ele nos mostre sua existência através de todas as coisas, inclusive da Ciência.
Edgard MacFraggin'